Sociedade

Despiste fatal em Bordéus

Sono ou distracção do condutor: segundo a Polícia francesa estará aqui a causa do acidente com o autocarro que trazia emigrantes portugueses da Alemanha. Dos 52 ocupantes, uma mulher morreu e três ficaram hospitalizadas.

Uma portuguesa morreu e três ficaram gravemente feridas num acidente com um autocarro da companhia portuguesa Internorte, anteontem de madrugada, a cerca de 70 quilómetros de Bordéus, no sudoeste francês. O veículo fazia a ligação regular entre Estugarda, na Alemanha, e o Porto.

A mulher que faleceu, Maria Manuela Pinto, tinha 52 anos e residia em Almeida, distrito da Guarda (ver outro texto). As três feridas, que têm 23, 34 e 49 anos de idade, ficaram internadas nos hospitais de Bordéus e Arcachon, "livres de perigo", mas com mazelas de "alguma gravidade" - ferimentos nas pernas, braços e bacia, disse fonte hospitalar francesa citada pela agência AFP. Dos 52 ocupantes do veículo, só 19 ficaram com ferimentos ligeiros.

O autocarro, de marca MAN, pertencente à rodoviária Auto Mondinense, mas ao serviço da Internorte, fazia a ligação Estugarda-Porto, quando, perto das 3 horas, sem razão justificável, galgou o separador de segurança da estrada nacional RN 10, em Saugnacq-et-Muret, na região de Landes, e tombou sobre o lado direito, arrastando-se vários metros até se deter junto de um viaduto, do outro lado da pista. Nenhum outro veículo se envolveu.

A bordo seguiam 52 pessoas. Dessas, 46 são portuguesas, a maioria residente na Alemanha e que voltava a Portugal de férias, entre as quais sete crianças e 39 adultos, incluindo os três condutores do autocarro. Há três franceses e três alemães entre os restantes passageiros.

"A vítima mortal e as feridas graves seguiam na parte da frente do autocarro à hora do acidente [03.07 horas]", disse Renaud Benne, comandante da divisão rodoviária da região de Landres.

As causas do sinistro estão agora sob investigação das autoridades francesas, mas, segundo os primeiros inquéritos de "homicídio e lesões involuntárias", o limite de tempo de condução - quatro horas - foi respeitado e o teste de álcool do condutor deu resultado negativo. No entanto, o condutor ficou sob custódia policial, segundo a AFP, não tendo seguido para Portugal. As autoridades francesas apontam como causa provável "o sono ou uma distracção do condutor", mas o inquérito ainda está a decorrer.

"Não sabemos o que se passou", confessou ao JN Nuno Freitas, um dos três condutores profissionais que seguiam a bordo e que dormia na altura do acidente. "Perguntei-lhe o que tinha acontecido e ele não sabe dizer, não consegue explicar. Mas diz que não foi sono". Os responsáveis da Internorte esclarecem somente que "as causas estão por averiguar" e que o seguro já foi accionado. Jorge Póvoas, director financeiro da empresa sediada no Porto, refere que "o autocarro sinistrado tinha dois anos e observava todas as condições exigíveis por lei" - a análise ao tacógrafo digital, aparelho que regista tempos de condução, pausas e velocidades, é agora fundamental. A Auto Mondinense não prestou esclarecimentos.

A maioria dos passageiros já terá regressado a casa. Ontem, às 16.30 horas, um autocarro fretado pela Internorte deixou o local do acidente trazendo para Portugal 37 pessoas, incluindo dois dos condutores. A viagem em direcção ao Porto tinha paragens previstas em Vilar Formoso, Mangualde, Viseu, Abergaria e Lourosa, devendo ter chegado ao Porto às 4 horas. 11 pessoas, de três famílias, decidiram regressar pelos seus próprios meios.

Recomendadas

Outros conteúdos GM

Conteúdo Patrocinado