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Escolas bilingues para surdos  

Escolas bilingues para surdos  

Uma rede oficial de escolas bilingue de referência, destinada exclusivamente a alunos surdos, está a ser criada para poder receber, já no próximo ano lectivo, alunos com deficiência auditiva dos ensinos Básico e Secundário.

Agora, por ocasião das matrículas, os encarregados de educação poderão optar pela inscrição num daqueles estabelecimentos de ensino ou numa escola de ensino regular, onde o apoio especializado será também garantido.

Filomena Pereira, directora de Serviços de Educação Especial da Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, referiu, ontem, no Porto - à margem da conferência internacional sobre o "Projecto Spread the Sign" - que os encarregados de educação estão, neste momento, a proceder à escolha do tipo de escola onde querem ver os filhos matriculados.

"A rede de escolas de referência prevê a oferta de escolas bilingues para alunos surdos, onde a língua gestual portuguesa será a língua-mãe, ficando o Português como segunda língua", explicou. Aquela responsável salientou que, ali, os alunos poderão contar com todos os equipamentos, materiais e pessoal docente especializado.

"Neste momento, estamos a dar um curso de formação de 100 horas para 100 professores, para o ensino do currículo em língua gestual portuguesa", informou.

O número e localização das escolas bilingues a criar irá depender, como explicou Filomena Pereira, do número de alunos surdos que venham a optar por as frequentar.

Em opção, os encarregados de educação poderão inscrever os filhos em escolas oralistas, ou seja, no ensino regular, onde a língua- mãe é o Português. Contudo, também ali será garantido aos alunos o apoio especializado de que necessitam.

Aquela responsável referiu que são 878 os alunos dos vários níveis de ensino com surdez. Daquele universo, 71% frequentam o ensino básico.

Filomena Pereira representou o Ministério da Educação na sessão de abertura da conferência internacional sobre o "Projecto Spread the Sign", que reuniu especialistas em educação de surdos, ontem, no auditório da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto.

Aquele projecto, que envolveru, durante dois anos seis equipas europeias, entre as quais uma portuguesa, teve como objectivo principal a construção de um dicionário multilingue para surdos, que pode ser consultado on-line no sítio www.spreadthesign.com.

A coordenadora nacional, Orquídea Coelho, revelou que os utilizadores portugueses superam os de todos os restantes países presentes no projecto.

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