Sociedade

Fundo do mar esconde riquezas para exploração

Fundo do mar esconde riquezas para exploração

Os meios usados por esta Missão, como o pequeno robô submarino capaz de descer a seis mil metros, "não serviram para a prospecção de recursos", diz o seu chefe, Pinto de Abreu.

Mas este perito com formação em Biologia Marinha admite ao JN que "toda esta informação permite tirar conclusões sobre a pesquisa de hidrocarbonetos (petróleo) para afinar expectativas de prospecção futura".

Pinto de Abreu não é muito explícito quanto a descobertas da Missão, ainda que admita a custo: "Claro que temos evidência de recursos minerais". Só adianta uma suposição: "Se considerarmos 1.600 quilómetros quadrados com teores médios de cobalto, níquel e cobre, isso equivale ao valor líquido de 217 milhões de euros por ano, metade da mina Neves-Corvo".

A confirmação de recursos naturais não é segredo dos deuses, mas do Estado; a fundamentação junto das Nações Unidas para a extensão da plataforma continental de Portugal não exige esses contornos. Certo é que, sobretudo a partir da aquisição do ROV, entregue em Outubro último, foi possível pedir ao mini-submarino "material genético, de recursos vivos". E talvez seja esse um petróleo mais rendível. Pinto de Abreu lembra que "os recursos ligados à biotecnologia são dos que têm maior potencial económico para exploração no fundo do oceano. É a chamada biotecnologia azul.

O responsável pela Missão garante que, neste momento, "Portugal já é líder mundial no conhecimento do fundo oceânico". A extensão da plataforma continental dá mais oportunidades, não só científicas, como de natureza económica. Tal como algumas indústrias farmacêuticas têm andado pela Amazónia a pesquisar princípios activos para medicamentos, outras já houve com resultados que se basearam em matérias-primas retiradas à escuridão dos fundos oceânicos. Veja-se o volume de negócios de cem milhões de euros logo no primeiro ano da comercialização de um conhecido fármaco para minorar o herpes labial. A molécula que lhe deu o êxito veio do fundo oceânico. Daí começam a vir anticancerígenos "à base" de esponjas, que em dois anos de vendas deram um retorno de dez mil milhões de euros.

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