Pedofilia

Igreja está a ser cúmplice de crimes cometidos por padres se os encobrir, diz Francisco Fanhais

Igreja está a ser cúmplice de crimes cometidos por padres se os encobrir, diz Francisco Fanhais

Os padres são cidadãos e "devem responder pelos seus atos" como tal, defende Francisco Fanhais, ex-sacerdote e músico de intervenção, que considera que a Igreja estará a ser cúmplice de crimes se encobrir casos de pedofilia.

"Está em causa acima de tudo um crime e, portanto, deve ser atacado e condenado pelos tribunais civis. E os padres não se devem eximir pelo facto de serem padres, porque são cidadãos e devem responder pelos seus atos", defendeu Fanhais em entrevista à Agência Lusa em Macau, onde vai dar um concerto no domingo integrado nos festejos do 25 de abril organizados pela Casa de Portugal.

"Além da condenação da pedofilia pelos tribunais, o mais básico que as vítimas podem desejar, não pode haver condescendência por parte da Igreja, nem branqueamento ou meias palavras para denunciar a situação. Encobrir é, até certo ponto, ser cúmplice, e isso é o pior que pode acontecer à Igreja", observou.

Padre até 1970, quando foi suspenso das funções pelas tomadas de posição contra a guerra colonial que desagradaram as bases de um país que enfrentava a ditadura, Francisco Fanhais, que se continua a dizer cristão e homem de fé, considera "muito graves" os escândalos de pedofilia no seio da Igreja Católica que têm vindo a público por todo o mundo.

A evolução interna e as opções da Igreja "deixaram de o interessar", mas cita uma das suas músicas, que diz "vemos, ouvimos e lemos" para salientar que, como cidadão, não pode ficar indiferente ao que está a acontecer na Igreja e que o entristece, confessa.

Francisco Fanhais justifica o seu afastamento como padre pela Igreja por ter querido "ser coerente com o evangelho em que acredita e que apregoava nas homilias".

"Não podia fazer de conta e tinha que assumir até ao fim a responsabilidade das minhas opções, portanto o conflito com a hierarquia era inevitável, como foi para tantos outros colegas que não aceitavam o silêncio da Igreja sobre os problemas graves que se estavam a viver em Portugal", lembra.

"Depois de tudo o que vivi e acreditei, fica-me uma coisa essencial, que é a figura de Jesus Cristo", constatou o ex-sacerdote ao sublinhar que antes sabia falar de Deus muito bem, mas hoje tem dúvidas sobre a sua fé nessa figura e/ou na vida eterna.

Para Fanhais, o cristianismo é uma opção importante, a maneira como Jesus Cristo "viveu e morreu, o que disse, a sua coerência de vida" é, para si, "o básico e fundamental".

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