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Investigador de Vila Real premiado por tratamento inovador de resíduos

Investigador de Vila Real premiado por tratamento inovador de resíduos

Um investigador da Universidade de Vila Real foi um dos vencedores do "Green Projects Awards" pela autoria de um processo inovador de tratamento de resíduos e efluentes dos lagares de azeite com pó de cortiça para produção de biomassa.

João Claro, docente do Centro de Química da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), desenvolveu o projecto BioCombus, que conta com um financiamento comunitário de 1,16 milhões de euros.

A concretização do projecto está a ser feita através de uma parceria entre a UTAD e a Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Murça.

João Claro afirmou este sábado à Agência Lusa que está em construção a linha de produção do protótipo, que deverá entrar em funcionamento em Março de 2012 para tratar os resíduos desta campanha de apanha de azeitona.

"O grande desafio foi construir um protótipo que consiga transformar o processo que resultou bem a nível laboratorial para a escala industrial", referiu.

O investigador propõe-se resolver dois problemas em simultâneo, os resíduos e efluentes resultantes dos sectores oleícola e da cortiça, juntando-os e transformando-os em biomassa, que poderá ser utilizada como combustível sólido para caldeiras domésticas.

Ainda este sábado, segundo o responsável, os efluentes da produção de azeite, as chamadas águas ruças, representam um "problema ambiental muito complexo", já que "têm uma carga poluente 200 a 400 vezes superior ao esgoto doméstico".

Apesar da legislação comunitária apertada, João Claro supõe que uma boa parte destes efluentes ainda são lançados em cursos de água de uma forma incontrolada.

"Fazendo uma média da produção de azeite a nível nacional, a totalidade das águas ruças que são produzidas correspondem à produção equivalente de 2,5 milhões de pessoas", referiu.

Acrescentou que "não havia nenhuma solução global para o tratamento destes resíduos ou porque são processos muito caros ou porque exigem grande complexidade técnica".

Com este método, poderá também ser revolvido parte do problema dos resíduos da indústria corticeira nacional, que produz anualmente cerca de 60 mil toneladas de pó de cortiça, dos quais apenas cerca de 10 por cento é que está a ser valorizado.

"O processo que pretendemos implementar dá origem a um produto ou material que, por sua vez, não se constitui num novo problema mas que apresenta um grande potencial de valorização", salientou João Claro.

É que, segundo o investigador, após secagem, "o produto resultante do processo revela um poder calorífico dos mais elevados existentes no mercado em termos de biomassa".

"Desta forma, encontra-se uma solução para os resíduos e obtém-se uma mais valia económica para as unidades de produção de azeite", acrescentou.

O BioCombos foi a primeira patente registada pelo Gabinete de Apoio à Promoção da Propriedade Industrial (GAPI), da UTAD.

Este projecto foi um dos vencedores do "Green Projects Awards" de 2011. Para João Claro, este prémio representa um reconhecimento do trabalho de investigação desenvolvido numa universidade "periférica".

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