Sociedade

Mundo submerso em crises de fé e ética

Mundo submerso em crises de fé e ética

As várias crises que assolam o Mundo foram esta quarta-feira denunciadas pelo arcebispo das Honduras, que, perante os mais de 100 mil peregrinos que enchiam o Santuário, destacou a actualidade da mensagem de Fátima.

De acordo com o cardeal D. Óscar Maradiaga, o mundo "encontra-se submerso em profundas crises de fé, de ética, de humanidade e parece ter perdido a orientação moral".

"Já não sabe onde está a fronteira entre o bem e o mal. Pode ser que tenha uma próspera bolsa de valores, mas sem valores", afirmou, durante a homilia, o presidente da Cáritas Internacional, admitindo que "a crise financeira que estamos a viver é simplesmente um sinal disto".

Para o arcebispo das Honduras, "a mão invisível que supostamente teria que guiar o mercado tornou-se uma mão desonesta e cheia de cobiça".

O cardeal D. Óscar Maradiaga recordou "as ameaças terríveis que espreitavam a Europa" aquando da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima. "Parecia que estava perdida toda a esperança", frisou o prelado, afiançando que "Ela veio trazer-nos a esperança que brota da Divina Providência de um Deus que é amor e que não abandona as obras das suas mãos".

"Hoje também, com o exemplo e o auxílio da Virgem, as comunidades cristãs continuam a missão de conduzir ao encontro de Cristo e, por isso, a invocamos novamente como Estrela da nova evangelização", sustentou o prelado.

Num Português correcto e bastante perceptível, o cardeal das Honduras afirmou que "a devoção mariana, com a sua multiplicidade de expressões culturais, diz-nos que o Evangelho se inculturou nas feições brancas, índias, crioulas, negras e mestiças com que se apresenta a Virgem, revelando nisso o rosto compassivo e materno de Deus para com o seu povo".

Por seu turno, o bispo da diocese de Leiria e Fátima voltou a falar da crise mundial que "a todos afecta" e pediu aos peregrinos "esperança e confiança". Na habitual despedida aos peregrinos, D. António Marto reforçou a necessidade de haver "grande solidariedade para com todos os que sofrem as consequências mais agravadas desta crise".

Alegre por "contemplar" os rostos da multidão de peregrinos, o bispo diocesano falou da viagem que o Papa Bento XVI realiza à Terra Santa e apelou "à comunhão espiritual" com o chefe da Igreja Católica.

A tradicional procissão do adeus que encerra as celebrações religiosas da peregrinação de 13 de Maio à Cova da Iria voltou a ser marcada pela emoção. De lenços brancos nas mãos e de lágrimas nos olhos, os milhares de peregrinos despediram-se de Nossa Senhora, muitos deles com a certeza de voltarem em Outubro, aquando da última peregrinação.

A imagem original da Senhora de Fátima, que se encontra na Capelinha das Aparições, partirá hoje para Lisboa para as celebrações dos 50 anos do Cristo Rei, que decorrem até domingo.

Nas celebrações deste 12 e 13 de Maio estiveram 127 grupos organizados de peregrinos, oriundos de 24 países, a maioria de Itália e Portugal.

Segundo informações do Santuário, os fiéis foram apoiados por mais de 240 voluntários, dos quais 197 são servitas, 38 escuteiros, três médicos e cinco enfermeiros.

No Posto de Socorro do santuário foram atendidas quase 600 peregrinos e na benção dos doentes estiveram 424 pessoas. De acordo com os dados disponibilizados pelo Santuário, até às 10 horas passaram pelos serviços de lava-pés 872 fiéis e na Capelinha das Aparições foram registadas 779 promessas. Não foram disponibilizados os números referentes às confissões de portugueses e estrangeiros realizadas no Santuário.

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