Sociedade

Nova Lei do Tabaco influencia fumadores a largarem o vício

Nova Lei do Tabaco influencia fumadores a largarem o vício

São várias as razões que levam cada vez mais pessoas a quererem deixar de fumar. A resposta clínica cresceu, mas a taxa de sucesso não é elevada, porque o vício, frequentemente, é mais forte.

Chegam por motivos de saúde, fartos de serem acusados e perseguidos pelo seu vício, com vontade de mudar. O objectivo de deixar de fumar nem sempre é alcançado, mas são cada vez mais os que pedem ajuda.

Há 20 anos, quando abriu no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, a primeira consulta de cessação tabágica era praticamente utilizada por doentes do foro respiratório e a consulta era prescrita medicamente. Duas décadas depois, continuam a chegar a esta consulta doentes para quem deixar de fumar é fundamental para continuar a viver, mas são cada vez mais os que a ela recorrem a pedir ajuda para largar o vício.

Eduarda Pestana é a responsável por esta consulta e trabalha na mesma desde a sua criação, faz sexta-feira 20 anos. O pneumologista contou, à Agência Lusa, que muito mudou nestes últimos anos em relação ao tabaco. "As pessoas compreendem muito melhor a necessidade de deixar de fumar, têm muito mais informação sobre os malefícios deste vício e não hesitam em pedir ajuda", disse.

A resposta clínica também cresceu. Segundo Eduarda Pestana, existem actualmente oito médicos pneumologistas, três enfermeiras e uma psicóloga, que asseguram dez turnos de consultas, divididos por três dias da semana.

Mudaram, igualmente, a forma de avaliar o grau de dependência, os protocolos e a terapêutica farmacológica. A especialista recordou que, quando a consulta arrancou, existia apenas uma goma de nicotina, de uma só marca e com apenas uma dose. Hoje, a nicotina que visa minimizar os efeitos da falta do tabaco está disponível em adesivos, gomas, pastilhas e comprimidos sublinguais. Existem ainda dois medicamentos sem nicotina.

Consulta tem um a dois meses de espera

Esta consulta tem uma média de um a dois meses de espera e quem chega tem de estar motivado. "Há pessoas que chegam a dizer que querem deixar de fumar no dia seguinte, o que é sempre demasiado cedo. Optamos por combinar uma data, como um aniversário ou outra ocasião especial", disse.

A especialista adianta que, desde que o fumo passivo deixou de ser tolerado na nova Lei do Tabaco, são cada vez mais os fumadores que se queixam da perseguição familiar e social que sofrem por causa do vício. A nova lei foi mesmo um incentivo maior para quem quer deixar o vício. "Como são cada vez mais os lugares em que o fumo é proibido, os fumadores sentem-se perseguidos", disse

A nova lei não aumentou, contudo, o aumento da procura desta consulta, que sempre foi muito procurada. Desde que entrou em funcionamento, esta consulta já realizou cerca de 16 mil consultas: 3.000 primeiras consultas e 13 mil segundas consultas.

Objectivo de deixar de fumar muitas vezes não é alcançado

As taxas de sucesso "não são elevadas", mas devem-se ao tipo de pessoas que recorrem à consulta. Doentes do foro respiratório, alcoólicos, doentes do foro psiquiátrico e toxicodependentes são alguns dos casos que são seguidos nesta consulta e que, pelas suas especificidades, nem sempre conseguem alcançar o objectivo de deixar de fumar. Mas a grande dificuldade é a desistência dos doentes. "Um quarto dos doentes que vem à primeira consulta não volta", disse Eduarda Pestana.

A especialista reconhece as dificuldades, mas não tem dúvidas de que "é importante a população fumadora perceber que não é difícil deixar de fumar" e, principalmente, que "é preciso deixar de fumar antes que chegue a doença".

Uma das suas funções é avaliar os níveis de monóxido de carbono, o que se faz através do sopro num aparelho e ver os resultados a descer após alguns dias sem fumar é animador para os candidatos a ex-fumadores.

De truque em truque, como jogar no telemóvel quando chega a vontade de fumar ou mastigar uma pastilha elástica no lugar de acender um cigarro, o vício vai perdendo cada vez mais adeptos.

Em Portugal, existem cerca de 2,2 milhões de fumadores. Um estudo apresentado em Setembro pelo economista Miguel Gouveia revelou que o tabaco provocou 12.600 mortes em Portugal em 2005. No mesmo ano, segundo o mesmo estudo, o tabaco foi responsável pela perda de 146 mil anos de vida por morte ou incapacidade.

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