Investigação científica

Português lidera equipa que estuda sistema de monitorização global da biodiversidade

Português lidera equipa que estuda sistema de monitorização global da biodiversidade

Uma equipa internacional de cientistas, liderada pelo português Henrique Miguel Pereira, está a desenvolver um sistema de monitorização da biodiversidade, à escala global, que espera estar a funcionar em 2015.

No fim do ano, o grupo de 30 cientistas prevê concluir a identificação das variáveis essenciais a medir, propondo, como exemplo, a abundância populacional de espécies ou a sua diversidade genética.

Henrique Miguel Pereira, investigador do Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, disse à agência Lusa que, apesar da "crescente preocupação relativamente à perda da biodiversidade", não há "um sistema de monitorização global" que avalie "como está a evoluir" anualmente.

As variáveis selecionadas seriam medidas, combinando observações remotas por satélite, com observações obtidas por organizações locais, regionais, nacionais e internacionais.

O projeto, que se propõe "harmonizar as diferentes variáveis" usadas pelos países e criar outras, pode ajudar a perceber como a floresta está a mudar, a partir de uma imagem tridimensional do "habitat", captada por um satélite com uma cobertura global.

"Quando há desflorestação, (a imagem) permite-nos saber que houve uma zona de árvores que foi cortada e queimada ou convertida numa zona agrícola ou de pastos", exemplificou o investigador.

Para o clima existe, atualmente, o Sistema de Observação Global do Clima, que definiu 50 variáveis essenciais para a sua monitorização regular.

O trabalho da equipa de Henrique Miguel Pereira é divulgado na sexta-feira, na revista científica "Science".

O investigador vai liderar a delegação portuguesa que, entre 21 e 26 de janeiro, participa em Bona, na Alemanha, no primeiro plenário da Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e os Serviços dos Ecossistemas, onde são esperadas representações de mais de cem países.

Henrique Miguel Pereira espera que a plataforma seja um espaço de "partilha de responsabilidades", inclusive financeiras, dos diferentes países na monitorização da biodiversidade.

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