Opinião

Vítor Santos

#tourada

A Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) considera que as touradas são "parte integrante da herança cultural lusa". Nem vou questionar se está certo ou errado. Mas com o perigo fascista à espreita um pouco por toda a Europa, temo, por exemplo, pelos inimigos dos italianos, esse povo que, enquanto devoto de Roma, durante séculos se divertiu, em anfiteatros solarengos, a ver leões a comer pessoas - se as tradições devem ser acarinhas, tudo é possível. A realidade é que nem todas as tradições merecem ser preservadas, ou os fanáticos da Inquisição passam a ter legitimidade para, um dia destes, reclamar o regresso da fogueira. O parecer da ERC surge porque não falta quem entenda que aquela espécie de dança covarde de espetar ferros em touros não deve passar em horário nobre na televisão. Esta situação, confesso, já não me causa tanta comichão. Porque a oferta de canais é cada vez maior e a generalidade dos jovens, das crianças até, não tem qualquer dificuldade de acesso a cerimoniais mais violentos através de plataformas várias, sendo praticamente impossível blindá-las a tempo inteiro. Ou seja, já não vamos lá com projetos de lei. Nem os partidos devem mandar nos conteúdos da televisão. Mas devemos educar. Se o fizermos sem fanatismos, a maioria acabará por perceber que não faz sentido tratar mal os animais, acabando a opção de transmitir touradas por ser dinamitada pela ditadura das audiências.

Pedro Ivo Carvalho

#santinha

O futebol gera comportamentos tão bipolares quanto os projetados por Carrie Mathison, a mãe solteira que devora teorias da conspiração na série televisiva "Homeland". Só que, ao contrário da personagem, não há comprimido capaz de acabar com a loucura alinhada na cabeça dos adeptos em 4X3X3. Na ressaca da soporífera exibição de Portugal frente a Marrocos, e após o jogo com Espanha, passamos da coletiva masturbação emocional para o coito interrompido sistémico. Valha-nos que em benefício destas metáforas tivemos um único corpo em movimento chamado Cristiano Ronaldo. Ora, não é por sermos excessivamente justos com CR7 que podemos fazer o contrário com Fernando Santos. Há quem diga que o nosso mister não dá um passo sem aconselhar-se com o craque (a despropósito: parabéns, Cristiano, por incinerares a melena loura que estava a tapar-te a visão para as balizas adversárias). Isso não é verdade e até os adeptos iranianos que me leem nos bairros de Teerão o sabem. O nosso selecionador, além de estar ungido pelo divino, percebe mais de bola do que dez Jorge Valdano. E nem falo do facto de ter exibido uma irritabilidade assassina que já não víamos no rosto de alguém desde que Ronaldo lançou um microfone a um lago imundo. Acreditem: o melhor Fernando Santos está para vir. Ou o pior. O que, em qualquer dos casos, acabará com Portugal a ganhar a final do Mundial com um golo trapalhão do Guedes e o engenheiro agarrado a uma santinha.

A sua Opinião

Um ano depois dos incêndios de Pedrógão, a floresta portuguesa está mais protegida?

Evasões

Ar livre

Porto: 5 lugares para ver o fogo de artifício sanjoanino

É quando o sol se põe que começa a verdadeira animação sanjoanina. E quando a meia-noite se aproxima todos procuram o melhor lugar para apreciar o fogo-de-artifício, que será lançado da ponte Luiz I e das barcas do Rio Douro. Ao pé da ponte, a partir de Gaia, ou bem alto nos miradouros, há várias opções para quem não quer perder pitada do espetáculo pirotécnico. Leia também: Mais São João: 5 festas para celebrar a festa fora do Porto São João: arraias e cascatas a não perder no Porto Porto: 6 sugestões para um fim de semana de festa

Ar livre

Lordelo do Ouro: Um arraial de São João a caminho da Foz

Caminhando pela marginal do Porto, à boa tradição são joanina, para lá da ponte da Arrábida os olhos já não alcançam o bulício do centro da cidade, mas na direção oposta atraem as luzes e cores vibrantes dos carrosséis, carrinhos de choque, trampolins e demais divertimentos instalados no Largo do Calém. Estão aqui para as festividades do São João e vão ficar até ao dia 1 de julho, lado a lado com as rulotes e barraquinhas de farturas, churros, cachorros, bifanas e cerveja, muita cerveja. Quando se forem fica o fresco jardim, e a vista desimpedida para o Estuário do […]

Família

Um campo de artes para futuros artistas em Famalicão

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Novo italiano de Lisboa celebra o lado simples da vida

Duas histórias de amor com Itália como cenário de fundo e o mesmo protagonista. Uma começou há cinco anos, quando este conheceu e se apaixonou pela mulher, Sara, numa viagem a Verona, terra de Romeu e Julieta. A outra é mais antiga, e quase nasceu consigo: a paixão pela cozinha italiana. O resultado desse amor é o restaurante italiano Sangiovese, o nome da primeira casta trazida para Portugal pelos romanos, e que abriu agora em Lisboa, perto dos jardins da Gulbenkian. «Sempre adorei o lado simples da cozinha italiana. Less is more», frisa o chef de 35 anos que prefere, […]

Compras

Comprar um livro russo nesta livraria dá direito a shot

Lukas Palan trabalhava numa grande livraria, em Praga, quando conheceu uma estudante de Braga que o fez trocar as vistas para o castelo da capital da República Checa pelo mar e pelas gaivotas. Depois de terem vivido em Esposende, fixaram-se no Porto, onde ele abriu a sua própria livraria, em meados de abril. Chama-se Trezor e tem perto de 700 livros selecionados, da ficção à poesia, todos em língua inglesa, e alguns de autores checos, claro. Metade daqueles títulos Lukas leu e recomenda; a outra metade recebeu prémios ou boas críticas, conta. A maioria puxa pelo leitor e não se […]