Opinião

João Gonçalves

Os caminhos da Direita

Há mais de uma década, três conspícuos militantes do PS de apelidos Costa, Sócrates e Seguro reuniram-se para decidir quem avançava. Costa sugeriu que o mais bem colocado nas sondagens avançava. Seguro terá esbracejado levemente e ainda "ameaçou". Mas, fora do trio, o agora comentador da "quadratura" literalmente "do círculo", Jorge Coelho, deteve Seguro: "agora é a vez do Zé". E assim foi. Primeiro "o Zé", depois vagamente Seguro e por fim o grande timoneiro do grupinho e actual caudilho. O que lhe falta enquanto cabo eleitoral sobra-lhe em astúcia de bastidores. Não ser sanguíneo como Sócrates, ou sério-frouxo como Seguro, permitiu-lhe um Governo minoritário de legislatura, a condescendência do radicalismo parlamentar e a aquiescência de dois presidentes da Direita. Como Madame de Merteuil, Costa é a sua própria obra imposta a terceiros, ora crédulos, ora complacentes. Aqui inclui-se Rui Rio, o politicamente anulado líder da Oposição e do PSD. Correu para os braços do caudilho para assinar dois pactos que manifestamente ninguém interessado leva a sério. Tem com ele uma espécie de "contrato" não escrito, declinado do que Costa inventou para os seus outros dois camaradas em 2004. Repare-se que Rio, nos raros murmúrios críticos do Governo, nunca aponta Costa. Está lá para o que der e vier, isto é, para o que Costa lhe der. Por isso, Costa comporta-se como Salazar diante de António Ferro: está e fica como se ameaçasse nunca vir a deixar de estar. Perante este descalabro, a Direita mexe-se dentro e fora do PSD. Dentro, fazem-se fatos e barbas à medida de líderes difusos por vir. Preparam-se prosas que se aliviam nos jornais, em entrevistas espúrias e em charlas nas televisões. Outros ainda nem sequer sabem se vão a provas. Tudo com os olhos na previsível remoção de Rio depois dos actos eleitorais de 2019. E todos sem cuidar das Europeias de Maio, o primeiro choque com o país como um todo e que se limitam a preparar como mais uma eleição paroquial, com a gente amesendada em Bruxelas há demasiado tempo. Quem não perceber que os caminhos da Direita passam, em primeiro e decisivo lugar, pela eleição de Maio, não percebe nada. Ao menos a "Aliança" de Pedro Santana Lopes, em rápida cibernética, já indica, até pelo que recusa, um caminho. As pessoas, essa grande preocupação do "passeio público" partidário corriqueiro, virão naturalmente a seguir. Mal andaria a "Aliança" se começasse pelo fim.

Rui Sá

Tropa outra vez?

No passado dia 30 de julho estava a almoçar quando apareceu no restaurante um colega de faculdade, com dois filhos, que teve a amabilidade de me fazer companhia. Da conversa fiquei a saber que um dos "miúdos" tinha optado por frequentar a Academia Militar, influenciado por um familiar, também militar, e pela vida. A conversa trouxe-me recordações, distantes, dado que, no dia seguinte, fazia 29 anos do dia em que me apresentei no então chamado RIF/DT - Regimento de Infantaria de Faro/Destacamento de Tavira para cumprir o Serviço Militar Obrigatório. Nessa incorporação para o então designado CEOM - Curso Especial de Oficiais Milicianos apresentamo-nos, para além de muitos outros, sete dos 57 licenciados em Engenharia Mecânica de 1988 pela FEUP (na altura as mulheres não iam à tropa...), sendo que outros tinham sido incorporados antes. Estava a trabalhar há praticamente um ano e ganhava, na altura, 90 contos (450 euros, mas bem mais a preços correntes...) que permitiam que já tivesse "juntado os trapinhos". Como soldado cadete, passei a ganhar creio que 2,9 contos - mas com direito a farda, comida e "cama lavada". Depois de 3 meses de recruta e de especialidade, lá passei a Aspirante a Oficial Miliciano, ficando colocado na Escola Prática de Serviço de Material, em Sacavém, às portas de Lisboa - o meu salário (que se chamava pré) passou a 30 contos (150 euros). Foi o que recebi durante o ano que fiquei por Sacavém.

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Evasões

Comer

Receita de arroz de lavagante do chef Rodrigo Castelo

Receita de arroz de lavagante do chef Ingredientes 1 cebola picada 6 dentes alho laminados 2 lavagantes até 1kg cada 300 g arroz carolino 100 g coentros picados 100 g azeite 2 limões 400 g vinho branco 100 g manteiga Caldo de lavagante 1 cebola 1 cenoura 1 alho-francês 1 talo de aipo 1 tomate 50 g raiz de coentros 100 g polpa de tomate q.b. paprika fumada q.b. sal q.b. 5 pimentas moídas 100 g whisky 200 g vinho branco Preparação Lavagante Cozer o lavagante durante 20 minutos numa panela em água com 6% de sal. Arrefecer em água […]

Ar livre

7 jardins escondidos para descobrir na Baixa do Porto

Estes jardins são autênticos oásis plantados entre o betão e que transmitem tranquilidade e frescura numa pausa da agitação citadina. Aqui, no meio da baixa portuense, consegue-se esquecer o que está no centro da cidade e, em dias de calor no verão, são o lugar ideal para beber um refresco. Percorra a fotogaleria para conhecer 7 jardins escondidos na Baixa do Porto.     Leia também: 7 jardins para fazer um piquenique no Grande Porto 100 praias, piscinas e jardins têm bibliotecas este verão Entre os jardins de Santo Tirso há vida, comida e cultura

Ar livre

Mergulhos e descanso numa herdade na Costa Vicentina

Depois do pico do calor, não há nada que substitua um mergulho, e as espreguiçadeiras da piscina, postas à sombra de laranjeiras, convidam a mais uma ronda de descanso. Este é um dos principais atrativos da Herdade da Matinha, casa de turismo rural com 22 quartos de várias tipologias, aberta há mais de 20 anos pela mão de um artista plástico e de uma guia turística que a têm sabido manter atual e intemporal. Aulas de ioga, passeios a cavalo, idas à horta biológica ou algo tão simples como passear a cadela mascote da herdade são algumas das muitas atividades […]

Comer

Comida vegetariana (também) para não vegetarianos

Paulo Oliveira e Débora Barros fogem dos rótulos. Acima de tudo, interessa-lhes servir boa comida, mais do que definir o Remédio Santo como um restaurante vegetariano – ainda que a ementa seja, de facto, totalmente vegetariana, à exceção de um prato de bacalhau. «Comida boa é comida boa», independentemente do que contenha, defende Paulo, que foi fotógrafo de moda e teve outras ocupações, até se focar na paixão pela cozinha. O restaurante abriu, em março passado, com o intuito de servir «comida vegetariana que fosse apelativa para qualquer palato», caseira, de conforto e saudável, explica Paulo, frisando que há atenção […]

Comer

Crítica: A Ver Tavira para saborear excelência

Com um percurso profissional original, o chef Luís Brito estabeleceu na sua vida a ideia fixa de sair e sempre o destino cuidadosamente se encarregou de o devolver. Alentejano de Almodôvar, bateu-lhe cedo a vocação da cozinha, e aos 20 anos estava a entregar-se à arte, logo a seguir ao serviço militar. Sem padrinhos nem protetores, o francamente jovem cozinheiro fez o que ainda hoje faria: enveredou por caminho não usado sem olhar para trás. Fixou-se no Algarve como se fosse óbvio, e a formação da escola de hotelaria fez dele formador. Primeira revelação, a sua boa estrela indicou-lhe a […]