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Opinião

Pedro Ivo Carvalho

Pedro Ivo Carvalho

A grandeza de Iker Casillas

Quando Iker Casillas aterrou no Porto, em 2015, todos sabíamos quem ele era. Aos 34 anos, carregava nas luvas um vastíssimo currículo de títulos e de prestações desportivas ao mais alto nível. Ainda assim, alguma imprensa espanhola caricaturou a escolha do galático. Vinha para se reformar, tinha desistido de ser ambicioso, estava acabado. Iker devolveu as atoardas com trabalho e tornou-se num cidadão do Porto, do Norte, do país que o acolheu de forma calorosa. E continuou a ganhar.

Ainda queremos  o teletrabalho?

miguel pinto luz

Ainda queremos o teletrabalho?

Agosto já chegou e com ele as ambicionadas férias. É quase paradoxal que o ano em que mais tempo passámos em casa seja aquele em que mais precisamos de parar e descansar. O teletrabalho chegou, repentina e obrigatoriamente para tantos de nós, acabando com a imagem edílica de "trabalhar de pijama" ou à beira da piscina com um computador ao colo, enquanto se degustava um qualquer "drink" de verão. A realidade foi bem diferente, primeiro porque apesar de ser "tele" continua a ser trabalho e a exigir de nós a mesma ou maior dedicação, mas também porque nada estava preparado para tal. A gestão de projetos tornou-se sinónimo de "calls" intermináveis que tantas vezes só serviam para a marcação de novas "calls". As escolas fechadas e a telescola, a resposta possível mas manifestamente insuficiente, fizeram-nos olhar para os professores e os educadores de infância como os X-Men da paciência. As nossas casas que se tornaram pequenas para separar o local de trabalho do de lazer. E a desigualdade de género, ainda tão presente, com as tarefas domésticas a somarem-se aos desafios das atividades profissionais das mulheres. Como se o monopólio da lida da casa ou do controlo do fogão fosse uma herança genética que em pleno século XXI não possa ser partilhada. Exageros à parte, este é o sentimento de muitos dos que passaram pelo teletrabalho neste período, porém este é um caminho em que não devemos recuar. Se hoje conhecemos muitos dos problemas latentes do teletrabalho desordenado, resta-nos corrigi-los e avançar. Aproveitemos esta oportunidade e criemos um novo modelo de trabalho, mais sustentável, com mais liberdade e em que o tempo que ganhamos ao trânsito possa ser transformado em novos pequenos prazeres diários. Sabemos hoje que o teletrabalho não é um "cocktail" na piscina, mas pode muito bem ser a única oportunidade de ver os nossos filhos crescerem e em família, partilhando mais e melhores momentos de afeto.