Opinião

João Gonçalves

Cenas dos próximos capítulos

1. À pura estupidez política, ou outra, deve responder-se, mesmo sem responder, com inteligência. Foi o que fez a antiga procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, numa entrevista de fim de mandato. Não apenas pela substância, relacionada com a sua actividade profissional, mas, também, pela maneira ironicamente cortês com que descreveu, sem descrever, a peripécia miserável da sua substituição. Jurista proba, magistrada competente, corajosa, ciente das incapacidades e das vulnerabilidades da sociedade portuguesa, sem ser por conta do que aprendeu nos livros ou por demagogia, Marques Vidal, assim ela o quisesse, daria uma grande candidata livre ao mais alto cargo do Estado, tão tragicamente votado à vulgaridade e à irrelevância.

Rui Sá

Os poderezinhos

Quem exerce funções de gestão pública tem prerrogativas que lhes permitem tomar decisões, muitas vezes com o poder discricionário que a lei lhes concede. Espera-se, sempre, que esse poder seja tomado com critérios de transparência e movido pelo interesse do país (ou do município, ou da freguesia) e pela defesa da causa pública. Sendo que essas decisões devem ser escrutináveis publicamente. Apesar destes princípios democráticos, há detentores de cargos públicos que exercem o poder sem os terem em conta, antes o utilizando para satisfazer os seus mesquinhos interesses, muitas vezes em atos vingativos pessoais.

A sua Opinião

Concorda com a demissão de Azeredo Lopes?

Evasões

Notícias

Os portugueses estão fartos do que comem à hora de almoço

«Outra vez arroz?». A pergunta pode não ser despropositada quando se fala do que os portugueses acham da diversidade dos seus almoços no trabalho. Um estudo da YouGov – uma empresa líder internacional em pesquisa de mercado – mostra que 31% dos trabalhadores admite «sentir monotonia com o consumo do mesmo menu de almoço todos os dias». A sensação deve-se, segundo o estudo, ao facto de as opções de almoço serem quase sempre as mesas para um em cada quatro pessoas: sanduíches feitas em casa (33%), saladas (33%) e massas (32%). Logo a seguir, há quem almoce pratos de cozinha […]

Beber

Ilha: conheça o delfim dos vinhos madeirenses

Conheci Diana Silva há mais de dez anos, ainda existia o Manifesto de Luís Baena e Marlene Vieira em Santos. Era escanção no que foi o mais vanguardista restaurante de Portugal até hoje, expoente supremo da cozinha molecular e evolutiva entre nós. Estando em vésperas de partir para a Madeira para mais uma exploração restaurativa da ilha, a francamente jovem Diana ia cumprindo a ordem de serviço, ao mesmo tempo que me ia lançando reptos acerca das boas mesas da Madeira. Dos vinhos falava com paixão e conhecimento, harmonizando bem com as complexas criações do chef Baena. Estava eu longe […]

Comer

Gaia: um novo menu todo acompanhado por vinho do porto

  Um menu de três pratos, harmonizado só com vinho do porto, é a proposta mais recente do restaurante Barão Fladgate, nas caves Taylor"s, em Vila Nova de Gaia. O menu Taylor"s, desenhado pela diretora de vinhos das unidades de turismo do grupo, Beatriz Machado, em parceria com o chef Ricardo Cardoso, dá a provar diferentes vinhos, em diferentes momentos da refeição. O objetivo é mostrar a versatilidade do vinho do porto, ou, na expressão de Beatriz, descontextualizá-lo. O arranque faz-se com vieiras sobre pêra rocha cremosa, abóbora assada, laranja, mini acelga, amêndoa do Douro tostada e molho de caril, […]

Compras

Tapetes e outras peças de autor na nova loja do Porto

É uma loja-galeria que alberga dois projetos: o GUR e a galeria Senhora Presidenta. Nesta casa partilhada, aberta ao público desde o passado dia 15, e com ateliê incorporado, todos são bem-vindos, incluindo os animais de estimação. O cão Xuxo acompanha a designer Célia Esteves, responsável pelo GUR - rug (tapete, em inglês, ao contrário), porque é de tapetes que trata. São feitos em tear manual, com base em desenhos de ilustradores e artistas convidados. Tudo começou com a participação de Célia numa exposição coletiva que fazia a ponte entre artesãos e jovens designers, na sua cidade de origem, Viana […]

Fim de semana

Um recanto com vista direta para o Douro

«Nove meses de inverno, três meses de inferno», costuma dizer-se no Douro, em relação ao clima. O calor infernal tem lugar entre julho, agosto e setembro, quer dizer que já entrámos no inverno? Nada disso. A frase - forte, como convém a qualquer frase que se quer definitiva - serve para caracterizar a região e os seus vinhos, que devem muita da sua qualidade a estas temperaturas extremas. Ditados populares à parte, o mês de outubro continua a ser perfeito para visitar muitas das suas quintas, entre elas a Quinta do Pôpa, localizada em Adorigo, a dois passos das EN222. […]