Opinião

João Gonçalves

A nossa alegre casinha

Por via das opções dos conteúdos televisivos, de serviço público ou não, o país vai tomando conhecimento do seu frívolo estado. Assumem particular relevo duas coisas. Uma, destacadíssima, é a bola. E, nesta, o Sporting, tudo com o infinito cortejo de "protagonistas" e de comentadores dos "protagonistas". Aliás, a RTP1 alargou o espectro. Uma vez terminado o Mundial, apareceram o hóquei em patins, em horário nobre, e as "voltas" de bicicleta. A outra via é a dos festivais - de música, gastronómicos e "medievais"- que surpreendem o espectador às horas mais absurdas e em plenos programas ditos de informação para, literalmente, encher chouriços. Quem não estiver por dentro, não percebe a que calçadão pertencem os festivais musicais que, invariavelmente, começam ou acabam na "alegre casinha" da Milú, agora adoptada pelo regime do Estado a que isto chegou, um Estado que não se respeita nem se sabe dar ao respeito. Por outro lado, aquilo que devia ser levado a sério não pode, porque arranjaram esta maneira de misturar tudo, uma velha habilidade destinada a fingir que vivemos num paraíso benevolente. No Verão de 1855, já D. Pedro V não se enganava ao escrever ao tio Alberto, Príncipe consorte de Inglaterra, que o carteio deles era a sua "única saída do círculo miserável de imbecis que nos rodeia". A mulher do primeiro-ministro até foi chamada, pela Armada portuguesa, a lançar uma garrafa de champanhe contra uma canhoeira ataviada nos estaleiros de Viana do Castelo, tão execrados pelo marido e pelos seus aliados há curtos anos, mesmo sem os indispensáveis canhões. À pastora Catarina, do Bloco, não lhe cai a cara de vergonha quando comenta o SNS, ao qual tem servido de muito dispor de mais dinheiro cativado. O PC avisa que "não se deixa comer" quando, desde os finais de 2015, mal se pode sentar com tantas blandícias proporcionadas ao Governo e ao PS. Rio, evidentemente, não existe a não ser para avisar que vai "reformar" isto em consensos fofos. Trump, a Europa ou o Mundo, de uma forma geral, não cabem na nossa alegre casinha. Não por acaso, e precisamente por confiarem mais nas festanças que no Estado, alguns automobilistas fizeram inversão de marcha na A12, no sábado, quando lhes cheirou a fumo, fogo e desleixo. Lembraram-se de Pedrógão, vá lá. Marcelo bem pode arrastar o corpo diplomático para concertos e croquetes no interior. Dificilmente arrastará mais alguma coisa ou alguém.

Rui Sá

"O Partido"

Sou dos que sofrem quando assistem à saída de alguém do meu partido - o PCP. Porque acho, sempre, que nunca seremos demais para concretizar o projeto que nos une. E porque fico, muitas vezes, com a sensação de que em vez de darmos a mão a pessoas em processo de dúvidas e hesitações (tantas vezes legítimas e compreensíveis neste complexo processo de construção de uma nova sociedade), utilizamos essa mesma mão para os empurrarmos definitivamente. Muitos deles, pelo percurso que depois fazem (ou que já vinham a fazer no interior do próprio partido...) dão razão a esse afastamento e, confesso-o, fazem-me pensar: ainda bem que saíram! Outros há que, depois, vejo a prosseguirem carreiras políticas noutros partidos, negando, com veemência, o que antes defendiam, mas movendo-se, apenas, por ambições pessoais e carreirismo - o que os desmascara. Outros, afastando-se, mantêm o respeito pelo partido, pelos seus ex-camaradas e por si próprios.

Fernando Calado Rodrigues

A encíclica que quase permitiu os contracetivos

Paulo VI chegou a aprovar, no dia 9 de maio de 1968, uma encíclica em que não se opunha ao uso de contracetivos. Estava destinada ser publicada com a data de 23 de maio, o dia da Ascensão. Foi mesmo impressa a sua versão oficial em latim com o título "De nascendae prolis" (sobre o nascimento das crianças). Porém, quando estava a ser traduzida para outras línguas, surgiram dúvidas e Paulo VI travou a sua publicação. Mandou reescrevê-la e acabou por publicar a "Humanae Vitae", com data de 25 de julho desse mesmo ano. Esta manteve a doutrina tradicional da Igreja Católica de só admitir os métodos naturais de contraceção.

A sua Opinião

França a justa vencedora do Mundial 2018?

Evasões

Ar livre

11 desportos de aquaturismo para fazer de norte a sul

Quando juntas, água e férias não têm de ser forçosamente sinónimo de piscina, espreguiçadeira, chapéu de sol, pezinhos de molho. Para quem tem aversão a verões de preguiça mas não abdica de diversão em estado líquido, reunimos duas mãos-cheias de atividades - mais ou menos radicais - para tirar partido de rios, barragens e mar.   Leia também: SUP: Conhecer o Gerês em cima da prancha Passear pela Ilha Terceira, da cidade à natureza Estas praias fluviais têm desportos aquáticos grátis

Comer

S.J. da Madeira: Abriu uma nova mercearia com tudo biológico

Paula Silva e a filha, Francisca Pereira acreditam que «juntos podemos mudar o mundo», e essa foi uma das razões que as levou a abrir uma casa onde só entram produtos biológicos. Pelas prateleiras encontra-se desde os cremes de barrar e frutos secos da +Cru a queijos veganos da Violife, ainda um cantinho com leguminosas, grãos e cereais a granel, e, mais adiante, há também uma área dedicada aos cosméticos orgânicos. Apesar de 90 por cento das marcas serem importadas, o objetivo é «promover produtos de qualidade e se possível ajudar novos projetos locais e nacionais». Caso do pão biológico […]

Fernando Melo

Receita de pescada com ervilhas e papada curada

Pescada com ervilhas e papada curada 24 meses (4 pessoas) 600 g Pescada limpa 15 g Papada ibérica curada 24 meses 100 g Manteiga 100 g Natas 1 Saqueta de chá verde 100 g Arroz agulha 120 g Ervilhas 15 g Chalotas 50 g Coentros 30 g Miolo de pão 30 g Salsa 20 g Queijo parmesão 2 folhas Hortelã-pimenta Azeite q.b. Sal q.b. Caldo de galinha Molho de chá verde: Ferver as natas, retirar do lume, juntar o chá e a hortelã, tapando com película aderente durante 20 minutos. De seguida coar, triturar com a varinha mágica e temperar […]

Comer

Estas são as novas francesinhas do Porto

Com o aumento de restaurantes e cafetarias na cidade, diversificaram-se as receitas de francesinha. Vegetarianas, com bacalhau, com alheira e outras: a criatividade para reinventar a famosa sanduíche parece não ter limites. Nunca a francesinha se apresentou de tantas formas e feitios. Eis algumas das criações mais recentes na cidade do Porto, que pode conhecer clicando na fotogaleria. Leia também: Porto: Novo tasco da Baixa serve francesinhas mini Porto: 10 ideias para aproveitar o fim de semana ao ar livre Há uma hamburgueria minhota no Porto

Ar livre

Durante o verão há cinema ao ar livre no Grande Porto

Em agosto, as praças, jardins e outros espaços públicos do Porto vão ser invadidos por sessões de cinema ao ar livre. O sol poente de verão acompanha o início das projeções e é até mote para as festas musicais que, já a partir de 24 de julho, fazem também parte do programa de uma outra iniciativa, o Cine NOS. Já na Maia, é na relva que se assiste às longas-metragens, e no concelho de Santa Maria da Feira são três as freguesias que vão acolher a exibição de filmes de ação, aventura e até musicais, bem recentes. Deixe-se cair a […]