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Cândida Almeida

Cândida Almeida

A discriminação

Em pleno séc. XXI perdura a ignomínia do racismo, xenofobia e discriminação, que resiste ao progresso e valorização do humanismo, da cultura e da educação. Não é só problema nosso. Porventura em alguns países mais grave, noutros mais diluído. São diversas e complexas as causas destes fenómenos infra-humanos. Talvez a sua origem se fixe nos tempos da escravatura ou, talvez, no período horrendo do nazismo, ou por outras múltiplas razões, que não resistem a qualquer explicação. De lamentar é que estes seres humanos, descendentes lá muito atrás no início da vida do hominídeo na Terra, se esqueçam, ou nem sequer queiram saber, que o Homo Sapiens, de que todos descendemos, surgiu, primeiramente, em regiões da África Oriental. Só depois se aventurou na conquista da Natureza, diversificando e projectando o seu modo de vida em outras partes do mundo, que exploraram e conquistaram. Lá bem na origem das vidas dos seres humanos de hoje há um antepassado comum. Por isso que é inevitável, é da natureza das coisas, sermos todos iguais, em igualdade de oportunidades, independentemente da raça, cor, religião ou género. Quem acredita em Deus, seja de que religião for, sabe que, perante Ele todos são iguais, não há gente de primeira e de segunda. Quem é agnóstico ou ateu não tem qualquer base ou substrato lógico e racional para sustentar uma divisão insuportável entre raças, etnias, cor, orientação sexual ou identidade de género. Frequentemente, mais do que se pode aceitar num povo de desvairadas gentes, somos confrontados com a prática de actos de grande crueldade, ódio e raiva contra pessoa ou pessoas pela sua diferença e características. Horrorizámo-nos com o homicídio de um jovem negro praticado por causa da sua cor por grupos da extrema-direita; pela morte de um transexual só pelo facto de o ser. São muitos os casos vivenciados que nesta rubrica de opinião não têm espaço para enumeração exaustiva, mas este último acontecimento, que saltou para a ribalta na semana passada, ocorrido na Costa de Caparica, chocou toda uma comunidade pelo facto de as vítimas serem crianças. Até estas são alvo de injúrias e ameaças discriminatórias, vociferadas em alta voz por uma mulher! A CRP proíbe qualquer tipo de discriminação. O CP incrimina a actuação e actos de discriminação e incitamento ao ódio e à violência. Acreditou-se que o mundo seria melhor no tempo pós pandemia. Errado. As pessoas tornaram-se mais egoístas, mais materialistas, mais individualistas, esquecendo rapidamente o surto da saudade, dos afectos e do humanismo surgido enquanto isolados no seu espaço caseiro. É tempo de mudar e voltar a lutar pela igualdade, fraternidade e justiça para todos e levada a cabo por todos. Neste universo insere-se também a luta por um melhor ambiente, tomar as rédeas da luta contra os movimentos e actuações dos seres humanos que provocam as alterações climáticas de que os políticos a nível mundial tanto falam, mas nada fazem para os evitar.