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Opinião

Inês Cardoso

Inês Cardoso

O circo no Parlamento

Quando André Ventura chegou ao Parlamento, em 2019, abriu-se um novo dilema no espaço público. Falar ou não falar, debater ou reduzir o fenómeno à sua real expressão de um deputado só, foram muitos os políticos, politólogos e comentadores divididos quanto à forma adequada de lidar com a chegada da extrema-direita à casa da democracia. Com a atual bancada de 12 elementos, o Chega tornou esta dúvida ultrapassada. Ganhou espaço de intervenção, tempo (literal) de antena, capacidade de fazer barulho.

Cândida Almeida

Cândida Almeida

Direitos humanos

Os direitos humanos são recorrentemente referidos nos discursos políticos e sociais, entrevistas ou debates. Reúnem-se os representantes dos países mais ricos do Planeta em Davos e os direitos humanos são convocados à ordem dos trabalhos, mas tudo continua igual. Aliás, penso que nunca como hoje os direitos fundamentais das pessoas foram tão violados, postergados, esquecidos! Nestes dias de gélido inverno, não há pensamento humanitário que não reflicta sobre as carências, a ausência de afectos, a miséria dos sem-abrigo que percorrem as cidades, vilas e lugares deste mundo, tendo por cama o chão húmido de uma qualquer escada, por tecto o céu aberto e por luz apenas o luar, se o houver. Lá longe, morrem crianças vítimas das guerras, sem chegarem a perceber por que e para quê nasceram. Ainda mais longe, ou talvez mais perto dos nossos olhos, milhares de crianças migrantes e refugiadas, muitas delas órfãs, perscrutam com um olhar triste a ruína que as rodeia, sem perceberem que há um outro mundo de opulência, desperdício e futilidade. Em outros lugares, crianças, mulheres, homens e idosos de pés descalços e desespero na alma morrem à fome e à sede sem sequer imaginarem que há outros recantos onde se desperdiça água e desbarata comida. É esta a perversa realidade vivida na enganosa globalização, que serve os negócios, as viagens, as riquezas, as exibições de luxo e poder, mas não foi capaz de repartir por quem nada tem o que a outros sobra demais. A erradicação da pobreza não é uma utopia, é alcançável se o ser humano e os estados de direito democrático quiserem. Se estabelecerem como objectivo prioritário da vida a partilha dos bens essenciais de forma mais equitativa. Bastará serem justos e solidários. O direito a uma vida digna é inerente ao ser humano. Todos são credores de uma existência com condições mínimas de sobrevivência, lar, família, saúde, educação, cultura, comida e trabalho. A nossa Constituição garante estas exigências, mas têm-se por princípios programáticos! O mesmo respeito por estes direitos básicos está impresso na Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Convenção Europeia dos Direitos Humanos, na Convenção sobre os Direitos da Criança e noutros tantos diplomas com força internacional. Por todo o mundo, ONG entregam-se plenamente ao apoio a quem sofre, doentes, famintos, deslocados, refugiados, imigrantes. Só lhes falta o condão de multiplicarem o pão. Mas não basta. O direito internacional não pode continuar a ser violado, o direito interno de cada país não pode continuar a ser espezinhado no que tange aos direitos humanos. Impõe-se a intervenção dos estados humanitários para, como consagra a CRP, promover o bem-estar, a qualidade de vida e a igualdade real entre todos, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais. Só assim se ultrapassarão as trevas de uma desigualdade atroz entre ricos e pobres. Só assim se realizarão os direitos do ser humano.

Cátia Domingues

Cátia Domingues

To Airbnb or not to Airbnb?

Um dos sonhos de quem compra um pedaço de chão é, um dia, descobrir que, debaixo daqueles metros quadrados de terreno no Bombarral, está afinal um poço de petróleo. Terreno esse que vão perfurar com a ajuda de um amigo que por acaso tem uma broca de titânio na garagem, tipo aquela do filme do Armagedão em que furaram o meteorito e que, assim que ela toca no chão começa a brotar um esguicho de água preta malcheirosa e acabam todos a dançar e a pular debaixo daquela chuva que, depois destas figuras, esperam sinceramente que não se trate afinal de uma fossa antiga. Bom, isto foi mais ou menos o que aconteceu às pessoas que, nos anos 80 e 90, por não conseguirem suportar os preços de uma casa no centro de Lisboa, foram viver para zonas como Moscavide ou Olivais.

Pedro Ivo Carvalho

Pedro Ivo Carvalho

Os não elegíveis

Duas histórias, o mesmo aperto: uma família de classe média com três filhos menores perdeu a casa arrendada num incêndio e anda, há dois meses, num pingue-pongue nada edificante entre Santa Casa da Misericórdia e Câmara de Lisboa para não ter de ir morar para a rua; outra família, também de classe média, também de Lisboa, tem três semanas para abandonar o apartamento arrendado porque o senhorio vai vender a casa. O filho, atleta paralímpico, já representou Portugal em diversas provas. Mais uma vez, Santa Casa e autarquia lisboeta dividem protagonismo e ausência de respostas.

Economia