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Opinião

Pedro Ivo Carvalho

Pedro Ivo Carvalho

Os não elegíveis

Duas histórias, o mesmo aperto: uma família de classe média com três filhos menores perdeu a casa arrendada num incêndio e anda, há dois meses, num pingue-pongue nada edificante entre Santa Casa da Misericórdia e Câmara de Lisboa para não ter de ir morar para a rua; outra família, também de classe média, também de Lisboa, tem três semanas para abandonar o apartamento arrendado porque o senhorio vai vender a casa. O filho, atleta paralímpico, já representou Portugal em diversas provas. Mais uma vez, Santa Casa e autarquia lisboeta dividem protagonismo e ausência de respostas.

Luís Pedro Carvalho

Luís Pedro Carvalho

#àrasca

Há um conjunto de portugueses, ainda jovens em 2011, que sentiram um arrepio na espinha quando ouviram uma música inédita dos Deolinda filmada pelo público no Coliseu do Porto. "Parva que sou" foi considerada a música de uma geração que levou nas trombas - perdoem-me a expressão - com a grande crise deste século e que saiu à rua na, agora famosa, manifestação de 12 de março da "Geração à Rasca". No vídeo, que há uns dias me apareceu do nada no YouTube, é possível sentir o bruá do público a crescer à medida que percebe a letra que Ana Bacalhau canta: "Que mundo tão parvo/Onde para ser escravo/É preciso estudar". A música terá sido o gatilho para a mobilização. 12 anos depois, pergunto em tom de desafio: onde está o músico que será a voz dos que agora se encontram na mesma crise? Qual vai ser o 12 de março desta geração?

Joana Almeida Silva

Joana Almeida Silva

#e-pobre

A justificação do ministro das Finanças para conter a ira dos professores, ao dizer que "a dívida está melhor" é matemática fria. A mesma lógica não pode ser usada para o aumento do número de desempregados. Também a noção de baixo PIB só existe para as famílias quando o senhor do supermercado nos diz que o saldo do cartão refeição se esfumou em bens de pouca dura, frigorífico meio-cheio. Sabem em que país um em cada dez trabalhadores é pobre? Portugal. E mais de metade não ganha mil euros? Portugal. Em que país o Salário Mínimo Nacional desceu abaixo dos aumentos na UE? Isso, Portugal. Já agora, o metro quadrado a 1500 euros? Portugal. Afastado o cenário de recessão, espera-se que o gráfico da dívida que deixou Fernando Medina a sorrir não seja um arco-íris vaporizado e sem força para dar aos trabalhadores rendimentos condignos.

O altar

helder pacheco

O altar

Noticiou tudo quanto era noticiário, que a Câmara da Capital iria gastar 4 milhões e 240 mil euros, mais uns trocos de dois milhões, na construção do altar para a Jornada Mundial da Juventude. No mesmo dia, o JN noticiava que, em Vila Nova de Gaia, 4492 crianças viviam em situação de pobreza extrema. E nem pergunto quantas haverá em todo o país, mais as carências habitacionais, a precariedade laboral, o abandono do interior, o colapso da Escola Pública, a crise do SNS, etc. Além do padre Lino Maia afirmar na TV: "Há mais pobreza em 2023".

Economia