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Três ONG lançam missão humanitária de resgate no Mediterrâneo

Migrantes resgatados recusavam ficar na Líbia Javier Martin/EPA

Três navios de organizações não governamentais (ONG) vão retomar as operações de resgate no Mediterrâneo, numa missão humanitária que dizem ser a "resposta da sociedade civil" à inoperância das autoridades europeias.

De acordo com um comunicado da ONG alemã Sea-Watch, uma das organizações envolvidas na missão, juntamente com a espanhola Open Arms e a italiana Mediterranea, os três navios vão operar na zona de busca e salvamento líbia, apoiados pela aeronave de reconhecimento Moonbird.

"Os Estados europeus estão distraídos com a distribuição de pessoas salvas individualmente, enquanto a taxa de mortalidade no Mediterrâneo central atingiu níveis recorde em setembro. Estamos a dar um bom exemplo, dando uma resposta europeia ao estado de emergência imposto pelo Estado no Mediterrâneo, comprometido com os ideais de solidariedade e direitos humanos", adianta o chefe de operações da Sea-Watch 3, Johannes Bayer, citado no mesmo comunicado.

Segundo a ONG, uma em cada cinco pessoas afogou-se em setembro, enquanto tentava atravessar o Mediterrâneo, devido ao impedimento das missões civis de resgate e à transferência de responsabilidades para a Guarda Costeira líbia.

Num apelo conjunto, as organizações condenam o financiamento de países terceiros pela União Europeia - incluindo ditaduras e milícias - para impedir a entrada de refugiados e migrantes na Europa, ao qual estão associadas violações de direitos humanos e das convenções internacionais para a segurança no mar.

Rejeitam também a crescente "campanha de criminalização contra migrantes e refugiados" que dizem ser uma "estratégia governamental e judicial" para tornar a solidariedade num crime.

Esta é a primeira vez que o Sea-Watch3 retoma as operações de resgate depois de ter estado "ilegalmente retido" em Malta durante quase quatro meses e passar por uma escala técnica em Bonifácio (Córsega).

Redação