Um doente com uma lesão grave numa mão, decorrente de um acidente de trabalho com uma rebarbadora, foi enviado do hospital S. José, Lisboa, para Gaia por avaria de um microscópio e por indisponibilidade de outros dois hospitais na capital.
Segundo documentos a que a agência Lusa teve acesso, o caso aconteceu na quarta-feira, com um homem de 38 anos, com um trauma grave na mão direita que necessitava de cirurgia. A vítima foi encaminhada do hospital de Setúbal para o hospital de São José, onde deu entrada cerca das 18 horas.
A equipa de cirurgia plástica e reconstrutiva considerou que, "dada a avaria do microscópio CPR e necessidade de meios de grande ampliação para sucesso cirúrgico", não existiu "capacidade para intervenção" no hospital S. José, "à semelhança desta semana e semanas anteriores".
O caso foi discutido com o chefe de equipa de urgência e com a direção clínica e foi decidida a transferência do doente "para outra instituição com capacidade para a intervenção".
O hospital de S. José tentou transferir o doente para o hospital de Santa Maria (Centro Hospitalar Lisboa Norte), que recusou. Depois, foi feita nova tentativa para o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (hospital S. Francisco Xavier), mas esta unidade tinha uma intervenção a decorrer e não pôde também receber o doente.
Pelas 21 horas, três horas depois de ter dado entrada em S. José, o serviço de cirurgia plástica e reconstrutiva de Vila Nova de Gaia aceitou receber o doente.
O processo do doente indica que a alta foi decidida às 22.35 horas, ou seja, quatro horas depois de ter dado entrada no S. José, tendo sido determinada a sua transferência para Gaia.
Segundo disse à agência Lusa um profissional de saúde do hospital de Vila Nova de Gaia, o doente acabou por entrar no bloco operatório em Gaia já depois das sete horas desta quinta-feira.
A agência Lusa contactou o Centro Hospitalar de Lisboa Central, que integra o S. José, para obter mais informações e esclarecimentos sobre o caso, mas ainda aguarda informações.