Política

Vital Moreira é escolhido para liderar lista socialista à Europa

Sócrates anunciou à noite o cabeça de lista do PS às eleições europeias. Alegre não foi a Espinho e o dia foi pautado pelo ataque às esquerdas que podem tirar a maioria ao PS. Ana Gomes pediu que se readmita a proposta Cravinho anticorrupção.

O professor universitário de Coimbra que foi deputado independente nas listas do PS, em 1997, e que saiu em ruptura com o então líder parlamentar, Jorge Lacão, resumiu a escolha: "A vossa surpresa não é maior do que a minha". Sócrates convidou-o na véspera e o segredo foi mantido até às 20 horas.

"Não são eleições menores", apontou o secretário-geral, para justificar a escolha. O anúncio do nome de Vital Moreira quebrou o clima dominante das intervenções de crítica ao BE, ao PCP e aos socialistas que apoiam e participam em iniciativas não promovidas pelo PS.

António Costa abriu as hostilidades de manhã, na apresentação da moção de orientação global do líder: "A Força da Mudança", ao pedir uma nova maioria absoluta porque o BE não criará "soluções de governabilidade". Há dez anos ainda acreditava nisso, "mas não podemos ter mais essa ilusão", sublinhou.

O autarca de Lisboa acusou o BE de ser "um partido oportunista, parasita da desgraça alheia e incapaz de assumir responsabilidades" e que a convergência de Esquerda que têm promovido - e na qual Manuel Alegre tem participado - visar apenas "a divisão do PS para o enfraquecer".

Os ataques prosseguiram com Augusto Santos Silva a opôr "a Esquerda moderada, moderna e progressista" à outra "extremista, radical e arcaica". Já se sabia que Alegre não ia a Espinho quando José Lello condenou "a acção centrífuga de alguns" socialistas ao votarem contra propostas do PS.

Coube, contudo a Ana Gomes - que, com Paulo Pedroso partilha o blogue Causa Nossa com o cabeça de lista ao Parlamento Europeu (PE) -, a intervenção mais original do dia. A eurodeputada disse ser preciso recuperar a proposta de João Cravinho sobre o enriquecimento ilícito para desfazer suspeitas de corrupção em torno de políticos.

O mesmo diploma que a bancada do PS recusou discutir e aporvar há quase três anos. Assim o caso Freeport, voltou ao congresso, numa outra perspectiva.

A eurodeputada advertiu ainda para os efeitos nefastos do Governo ajudar banqueiros em apuros, ao dizer que os portugueses não gostam de ver dinheiros públicos a ser gastos nestes auxílios.

Fonseca Ferreira - único orador da moção global alternativa à de Sócrates, já que António Brotas não conseguiu os 50 delegados necessários para a sua ser apresentada - assinalou logo à cabeça "a anemia política do PS nos últimos anos".

Palmas ouviram-se quando foi evocada a proposta de eleições directas e primárias para a escolha dos candidatos socialistas, de uma das suas moções sectorais. "Eu sei que és um defensor da democracia representativa", retorquiu ao presidente da mesa do congresso, Almeida Santos, " mas é a melhor maneira de escolher os melhores", concluiu.

Sem a presença de Alegre, foi Fonseca Ferreira a avisar que "não se podem fazer reformas sem as pessoas nem contra as pessoas", como aconteceu na Educação e na Saúde, "sem as explicar".

A modernização interna deve ser feita depois do ciclo eleitoral, que inclui as autárquicas e neste capítulo foi o eurodeputado Joel Hasse Ferreira a pôr o dedo na ferida: "Não devemos perder autarquias".

E se no palco desfilavam vozes de apoio à "constituição de famílias por via do casamento entre pessoas do mesmo sexo", como disse António Costa, no exterior, a chegada mais mediática foi a de António José Seguro que mantém o seu silêncio estratégico.

ALEXANDRA MARQUES