O atual presidente norte-americano, Donald Trump, não deverá ter adversários à altura na corrida que escolherá o candidato presidencial republicano, mas está tudo em aberto no Partido Democrata, a poucos dias do início das primárias para a Casa Branca.
Hoje, o "caucus" do estado do Iowa revelará os primeiros indicadores sobre quem serão os candidatos dos dois principais partidos à eleição presidencial, marcada para exatamente de hoje a nove meses.
Distribuídos por cerca de duas mil mesas, de braço no ar, os eleitores de ambos os partidos escolherão os delegados dos 99 concelhos de Iowa, depois de terem debatido as qualidades e os deméritos de cada candidato.
Trump não deverá ter grande dificuldade em afirmar-se nos recintos onde se reúnem os militantes republicanos, que o escolherão quase por consenso, a menos que haja grande surpresa no julgamento político que decorre no Senado, onde é acusado de abuso de poder e de obstrução ao Congresso.
Nas primárias do Partido Republicano, estão inscritos quatro candidatos: o empresário Rocky de la Fuente, da Califórnia; o ex-congressista Joe Walsh, do Illinois; o ex-governador de Massachusetts, Bill Weld, e Trump.
Em alguns estados, poderão aparecer ainda os nomes de Bob Ely, um investidor, e Zoltan Istvan, um ativista transumanista, mas Trump não deverá ter grande concorrência e chegará à convenção nacional do partido, na Carolina do Norte, em agosto, com a candidatura de reeleição garantida.
Desde que iniciou oficialmente a campanha eleitoral, em 18 de junho de 2019, Trump já angariou cerca de 90 milhões de euros e nem os baixos índices de popularidade, a nível nacional, lhe têm tirado o ânimo para percorrer o país em vários comícios.
Trump tem escolhido os palcos mais fáceis, em estados do "bible belt" (a zona evangelista tradicionalista e conservadora), procurando reforçar a sua imagem de estadista com obra feita, repetindo ou adaptando vários slogans da campanha de 2016 (passou de "Make America Great" para "Keep America Great" - Tornar a América Grande para Manter a América Grande) e voltando às suas bandeiras eleitorais mais eficazes: a imigração e a economia.
"Dorminhoco e maluco"
O chefe de Estado tem vários milhões de seguidores na conta pessoal da rede social Twitter e vai anunciando os seus feitos e ameaças à velocidade dos 140 carateres dos "posts" em que aplica alcunhas aos seus adversários políticos, para os tentar diminuir ou caricaturar.
"Sleepy Joe" (Joe dorminhoco) serve para Joe Biden, o ex-vice-presidente de Barack Obama, que aparece nas sondagens do Partido Democrata como o melhor candidato para derrotar Trump, mas que o presidente retrata como um candidato idoso (tem 77 anos) e sem energia.
Para Bernie Sanders, Trump escolheu "Crazy Bernie" (Bernie maluco), referindo-se às ideias mais radicais daquele que é, juntamente com Elizabeth Warren e Biden, um dos candidatos com melhores hipóteses de chegar como vencedor à convenção nacional democrata, em Wisconsin, em julho.
Sanders e Warren representam a fação mais à esquerda do Partido Democrata e unem-nos as suas propostas de serviço de saúde universal e gratuito, mesmo para os milhões de imigrantes ilegais que residem nos EUA.
Aquilo que os separa é a forma de financiamento dos muitos milhares de milhões de dólares de custo desse serviço, mas o mais moderado Biden considera que qualquer das alternativas é irrealizável e aposta em remodelar o Obamacare, modelo que ajudou a implementar no mandato de Obama e que Trump tem tentado anular.
Nas fileiras democratas, ainda há 14 candidatos dispostos a tentar uma corrida presidencial e todos partilham o objetivo de travar Trump e a sua política protecionista e conservadora.
Biden, Warren e Sanders têm usado os debates televisivos para atacar o presidente em quase todas as frentes, desde a política internacional à de imigração.