São João da Madeira

Fita adesiva nas janelas para travar frio no tribunal de S. João da Madeira

Infiltrações causam estragos no interior do Tribunal de S. João da Madeira Ivo Pereira/Global Imagens

Degradação do edifício de S. João da Madeira denunciada há anos continua sem solução.

Claraboias com infiltrações que, em dias de chuva, enchem o Tribunal de S. João da Madeira de baldes, janelas calafetadas com fita adesiva para evitar a passagem do frio, dezenas de gabinetes vazios, um sistema de ar condicionado avariado, madeira infestada e sinais de vandalismo no exterior. Os problemas não são de agora e a delegação local da Ordem dos Advogados pede obras urgentes. Segundo a presidente, Manuela Rebelo, "o problema é a repartição de competências" que promove "o jogo do empurra".

Manuela mostrava, na segunda-feira, o estado atual do tribunal a responsáveis da Comarca de Aveiro, ao presidente da Câmara e a elementos do Conselho Regional da Ordem dos Advogados. "O ar condicionado está avariado há anos". O frio já obrigou o Ministério da Justiça a mudar-se para junto do balcão de atendimento. A área onde funcionava está repleta de secretárias vazias. "Aqui tinham uma entrada autónoma, gabinetes para interrogatórios. Há um mês, os funcionários mudaram-se, porque não conseguiam trabalhar", relata.

Fonte da Comarca de Aveiro adiantou que "o sistema de ar condicionado tem 20 anos, hoje não há técnicos para arranjar aquilo" e a substituição ficaria demasiado cara.

Explicações

A mesma fonte explicou que a Direção-Geral da Administração da Justiça só tem competência para intervir no interior do edifício. Caixilharia, infiltrações e grafittis são competência do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ), "ao qual já foram comunicados os problemas dezenas de vezes", desde 2016. O IGFEJ já garantiu que fez uma vistoria há seis meses com vista ao lançamento de obras, mas não aponta prazos.

A acrescentar a isto, os atos de vandalismo levam à quebra sistemática de vidros, as condutas de água estão degradadas e com fugas, as madeiras estão infestadas e há 20 gabinetes vazios, depois de em 2014 o tribunal ter ficado reduzido a um juízo de competências genérica e um de especialidade de Família e Menores.

A Comarca está consciente que o "edifício está vazio" e até tentou sediar ali uma equipa de recuperação de processos para ocupar o espaço, que "não deu em nada".

Porto
Pedaços de teto a cair em salas de audiência, gabinetes fechados devido a buracos causados por infiltrações e juízes a trabalhar a partir de casa por falta de gabinetes são alguns dos principais problemas dos tribunais da Comarca do Porto. O Tribunal de S. João novo é o caso mais preocupante, com baldes a suster a água que escorre das paredes, buracos no teto e quartos de banho encerrados por falta de condições.

Vila Real
O arquivo da Comarca de Vila Real está instalado num sótão que, há vários anos, sofre de infiltrações. Caixilharias degradadas deixam entrar o frio.

Penafiel
Em muitos dos tribunais da Comarca de Penafiel há inúmeros problemas: "Salas de audiência improvisadas; gabinetes são exíguos; falta de climatização; pessoas amontoam-se nos corredores e halls dos edifícios à espera das diligências; infiltrações de humidade/chuva; e falta de acessos para pessoas com mobilidade reduzida", são alguns dos problemas apontados.

Torres Novas
No Palácio da Justiça de Torres Novas "chegam a atingir-se 40 graus na sala de audiências".

Sesimbra
Tribunal "não tem celas, não tem sala de advogados e não tem salas de testemunhas adequadas".

Catarina Silva