Sociedade

A enfermeira professora

Foi esta terça-feira galardoada com o Prémio Nacional de Saúde 2008 pelos serviços prestados em favor do desenvolvimento do ensino e da práticada enfermagem em Portugal.

Começou a trabalhar em 1952. Tinha então 23 anos e acabava de se formar na Escola Técnica de Enfermeiras, em Lisboa. Mariana Diniz de Sousa, hoje com 80 anos, foi agraciada com o Prémio Nacional de Saúde 2008 numa cerimónia quase íntima que decorreu ontem nas instalações do Infarmed.

Até se reformar, há dois anos, dedicou-se com afinco à pedagogia da enfermagem. Fala ao JN desse tempo, que começou com uma viagem aos Estados Unidos da América para fazer uma pós- graduação na área. "Fiz um curso direccionado para o ensino. Tive essa sorte". Naqueles anos era um privilégio estudar, ainda mais num país de pedagogia avançada, como os EUA. Quase dois anos volvidos, regressou a Lisboa, para a Escola Técnica de Enfermeiras.

"E o que é que eu fui fazer? Duas coisas, ensinar e praticar, porque uma pessoa quando ensina também pratica. Para ensinarmos aos jovens estudantes enfermeiros, temos que praticar para eles verem como se faz". E assim fez, durante anos. "Acompanhava os alunos aos hospitais em que eles estudavam. Escolhia os sítios aos quais levava os alunos para fazerem o estágio. Percorri assim os hospitais de Lisboa, sempre com grupos de alunos".

Mas fez muito mais. "Depois estive no Ministério da Saúde, fui assessora de vários ministros e fui fazendo estudos, propostas, nomeadamente na parte de revisão dos cursos. Constituí grupos para irmos estudando e abrindo caminhos na enfermagem. Depois fui directora-geral do Departamento de Recursos Humanos do Ministério da Saúde".

Foi a primera presidente da Ordem dos Enfermeiros, organismo que fundou. Sem falsa modéstia ainda acrescenta: "Fiz muito pelo avanço da enfermagem em Portugal, também no que diz respeito às carreiras dos enfermeiros, à programação do ensino dos enfermeiros e aos aspectos ligados ao exercício da profissão".

Considera que os enfermeiros "têm um papel importante a desempenhar" nos cuidados continuados e paliativos. Mas diz que a prática desses cuidados é ainda "incipiente" em Portugal. "Ainda há a estudar mais, muito mais sobre o assunto. Não há documentos definitivos. É incipiente". Os anos de experiência contam muito na posição que assume: frontalmente contra a eutanásia. "Essa questão não deve ser colocada. Pessoalmente, não concordo".

Mariana Diniz de Sousa recebeu um colar com os nomes de vários colegas gravados a ouro.

Começou a trabalhar em 1952. Tinha então 23 anos e acabava de se formar na Escola Técnica de Enfermeiras, em Lisboa. Mariana Diniz de Sousa, hoje com 80 anos, foi agraciada com o Prémio Nacional de Saúde 2008 numa cerimónia quase íntima que decorreu ontem nas instalações do Infarmed.

Até se reformar, há dois anos, dedicou-se com afinco à pedagogia da enfermagem. Fala ao JN desse tempo, que começou com uma viagem aos Estados Unidos da América para fazer uma pós- graduação na área. "Fiz um curso direccionado para o ensino. Tive essa sorte". Naqueles anos era um privilégio estudar, ainda mais num país de pedagogia avançada, como os EUA. Quase dois anos volvidos, regressou a Lisboa, para a Escola Técnica de Enfermeiras.

"E o que é que eu fui fazer? Duas coisas, ensinar e praticar, porque uma pessoa quando ensina também pratica. Para ensinarmos aos jovens estudantes enfermeiros, temos que praticar para eles verem como se faz". E assim fez, durante anos. "Acompanhava os alunos aos hospitais em que eles estudavam. Escolhia os sítios aos quais levava os alunos para fazerem o estágio. Percorri assim os hospitais de Lisboa, sempre com grupos de alunos".

Mas fez muito mais. "Depois estive no Ministério da Saúde, fui assessora de vários ministros e fui fazendo estudos, propostas, nomeadamente na parte de revisão dos cursos. Constitui grupos para irmos estudando e abrindo caminhos na enfermagem. Depois fui directora-geral do departamento de recursos humanos do Ministério da Saúde".

Foi a primera presidente da Ordem dos Enfermeiros, organismo que fundou. Sem falsa modéstia ainda acrescenta: "Fiz muito pelo avanço da enfermagem em Portugal, também no que diz respeito às carreiras dos enfermeiros, à programação do ensino dos enfermeiros e aos aspectos ligados ao exercício da profissão".

Considera que os enfermeiros "têm um papel importante a desempenhar" nos cuidados continuados e paliativos. Mas diz que a prática desses cuidados é ainda "insipiente" em Portugal. "Ainda há a estudar mais, muito mais sobre o assunto. Não há documentos definitivos. É insipiente". Os anos de experiência contam muito na posição que assume: frontalmente contra a eutanásia. "Essa questão não deve ser colocada. Pessoalmente, não concordo".

Mariana Diniz de Sousa recebeu um colar com os nomes de vários colegas gravados a ouro.

ISABEL TEIXEIRA DA MOTA