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Estrangeiros fazem quarentena antes da apanha da cereja

Apanha da cereja começa dentro de duas semanas nas principais zonas de produção, exceto Alfândega da Fé, prevista para junho Rui Manuel Ferreira /Global Imagens

Câmara do Fundão criou manual de boas práticas. Resende vai distribuir máscaras e Alfândega da Fé está a delinear estratégia.

Quarentena, menos colhedores por árvore e material de segurança são algumas das medidas que os produtores de cereja vão lançar para evitar riscos de contaminação da Covid-19 durante a apanha nas principais zonas de produção.

A Câmara do Fundão criou mesmo um código de boas práticas, para a campanha que começa dentro de duas semanas. Os trabalhadores estrangeiros são obrigados a fazer quarentena. Quarentena é para já a única medida que está a ser tomada em Penajóia, Lamego, onde a maioria dos trabalhadores, já a cumpri-la, são familiares. Em Resende, o autarca encomendou material de proteção para distribuir. Alfândega da Fé, responsável pela produção de cerca de 90 toneladas anuais de cereja, ainda está a estudar que medidas vai implementar na campanha deste ano, que só começa em junho.

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Código de boas práticas

A presença de menos colhedores em cada cerejeira é uma das medidas que os produtores do Fundão e da Covilhã vão implantar este ano. A Câmara do Fundão elaborou o código de boas práticas para a colheita da cereja, que integra várias medidas e que exige que os trabalhadores de fora cumpram uma quarentena obrigatória de 14 dias para evitar a propagação da Covid-19. Essa condição, adicionada ao atual panorama de pandemia, agrava a contratação de trabalhadores sazonais, mesmo estrangeiros. O produtor João Veríssimo tem cerca de 12 trabalhadores do Nepal e casas para garantir esse isolamento. O manual da Câmara foi elaborado em articulação com o Centro Operativo e Tecnológico Hortícola Nacional e uma equipa da Universidade da Beira Interior. Lembrando que nesta época o concelho acolhe entre 400 e 500 trabalhadores temporários, de vários pontos do país e do estrangeiro, Paulo Fernandes, presidente da Câmara, destaca que "a obrigatoriedade visa defender a saúde de todos e que será fiscalizada". Segundo a Cerfundão, entidade que embala e comercializa este fruto da época, "a chuva está a atrasar a apanha, mas prevê-se que possa começar no final de abril em algumas zonas e que se estenda até início de julho noutras.

penajóia e resende

Campanha dentro de duas semanas

Em Penajóia, Lamego, e em Resende, as preocupações do impacto da pandemia concentram-se no receio de que a procura e o preço baixem. A mão de obra está assegurada, dizem os produtores. Daqui até ano início da campanha são cerca de 15 a 20 dias, tempo que dá a quem trabalha na apanha de fazer quarentena, afirmam os produtores. Além de que, sublinham, a mão de obra é quase toda familiar. É em Penajóia que amadurecem as primeiras cerejas da Europa, diz Ricardo Simões, da Associação dos Amigos e Produtores de Cereja local. Lá para finais do mês começa a campanha. Embora ainda seja cedo, "prevê-se um ano de muita cereja". Em Resende, o Festival da Cereja foi cancelado, mas o presidente da Câmara, Garcez Trindade, mantém viva a esperança de que em junho se "possa dar algumas largas à sua comercialização". Quanto à apanha, a Autarquia já fez uma encomenda de material para distribuir pelos produtores de forma a garantir a segurança dos trabalhadores.

Alfândega da fé

Expectativa com tempo e pandemia

Foi cancelada a Festa da Cereja marcada para 12, 13 e 14 de junho em Alfândega da Fé. Esta era a maior montra da produção deste fruto no concelho, onde anualmente produzem entre 70 e 90 toneladas. Não sendo o principal canal de escoamento da produção "vendia-se bem e ao melhor preço", indicou João Vítor, da cooperativa agrícola local. Para já está a decorrer a fase de floração e ainda é cedo para saber se será ano de boa colheita. Por isso, ainda não está delineado um projeto de combate à Covid-19. Os produtores estão apreensivos quanto ao escoamento da produção face ao contexto atual: "Há muitas lojas fechadas, mas ainda é difícil fazer previsões", referiu João Vítor.

Célia Domingues, Glória Lopes e Vanessa Pereira