Mundo

Mundo reaje ao discurso de Obama

Hezbollah: Discurso de Obama não contém nenhuma  mudança

O movimento xiita Hezbollah afirmou esta quinta que o discurso pronunciado no Cairo pelo presidente norte-americano, Barack Obama, "não tem nenhuma mudança real" em relação à política dos Estados Unidos para a região.

"O que ouvimos foi um discurso que não tem nenhuma mudança real em relação à posição política regional norte-americana", disse Hassan Fadlallah, deputado do Hezbollah.

"O mundo árabe-islâmico não precisa de receber lições, precisa é de actos concretos, a começar por uma mudança radical em relação à causa palestiniana", acrescentou.

Para este deputado do partido xiita libanês, "o problema dos árabes e dos muçulmanos reside no apoio de Washington às agressões israelitas na região, em particular contra os povos libanês e palestiniano".

No discurso, o presidente dos Estados Unidos defendeu um "novo começo entre os muçulmanos e os Estados Unidos", considerando que o "ciclo de desconfiança e de discórdia deve acabar".

"Enquanto as nossas relações forem definidas pelas nossas diferenças, daremos poder àqueles que semeiam o ódio em vez da paz, àqueles que promovem o conflito em vez da cooperação", declarou Obama na Universidade do Cairo.

O Hezbollah é considerado por Washington como uma organização terrorista.

Egipto: Discurso de Obama é "histórico"

O ministério dos negócios estrangeiros do Egipto considerou esta quinta-feira "histórico" o discurso que o presidente norte-americano, Barack Obama, proferiu na Universidade do Cairo.

Numa declaração oficial, o porta-voz do ministério, Hosan Zaki, sublinhou que Obama insistiu na necessidade de um Estado israelita e de um Estado palestiniano, defendeu que cessem os colonatos israelitas e pediu o fim dos actos de violência palestinianos.

"Vimos no discurso de Obama uma grande abertura em relação aos muçulmanos", disse o porta-voz.

Organização da Conferência Islâmica: discurso de Obama terá "implicações positivas"

O secretário-geral da Organização da Conferência Islâmica (OCI), o turco Ekmeleddin Ihsanoglu, disse que o discurso do presidente norte-americano Barack Obama no Cairo terá "implicações positivas".

"Naturalmente, este discurso terá implicações positivas no mundo muçulmano", declarou Ihsanoglu, interrogado a partir do Cairo pela cadeia de televisão turca NTV.

Adiantou que os países muçulmanos vão agora olhar como é que Washington dará seguimento a "esta declaração de boa vontade".

Segundo Ihsanoglu, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, assegurou-lhe numa breve conversa que teve com ele depois do discurso de Obama, que os Estados Unidos estavam "prontos a cooperar" com a OCI.

"Concordámos em ter um contacto directo proximamente", precisou.

Com sede em Jiddah, na Arábia Saudita, a OCI agrupa 57 membros e representa 1,3 mil milhões de muçulmanos.

No discurso hoje, pronunciado na Universidade do Cairo, Barack Obama propôs aos muçulmanos o virar de página "de um ciclo de desconfiança e de discórdia" com a América e defendeu uma solução negociada para o conflito israelo-palestiniano.

Vaticano diz que discurso de Obama é "um novo início"

O Vaticano considerou que o discurso proferido pelo Presidente norte-americano Barack Obama, no Cairo, é "um novo início nas relações com o mundo muçulmano", segundo uma nota divulgada no diário católico L'Osservatore Romano.

Segundo o vespertino da Santa Sé, Obama foi o primeiro presidente dos Estados Unidos a ir "mais além que as fórmulas políticas" e evocou "interesses comuns concretos em nome da mesma humanidade e das comuns aspirações do homem".

Essas aspirações, adiantou o jornal, são "viver em paz e em segurança, receber uma educação comum, trabalhar com dignidade, amar a família, a comunidade e a Deus".

No mesmo jornal, o director do gabinete de imprensa da Santa Sé e da Rádio Vaticano, o jesuíta Federico Lombardi, também enalteceu as palavras de Obama e afirmou, em declarações à comunicação social italiana, que a política externa dos Estados Unidos coincide em muitos pontos com a do Vaticano.

Lombardi disse ainda que Obama colocou em primeiro plano o processo de paz no Médio Oriente.

Redação