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Antivacinas e extremistas de Direita juntos contra as medidas sanitárias

Paris, França AFP

Manifestações juntam dezenas de milhares em grandes cidades da Europa, ao mesmo tempo que número de infetados por coronavírus continua a aumentar.

Dezenas de milhares de opositores ao uso de máscaras e a outras medidas impostas pelas autoridades para prevenção do contágio com o coronavírus SARS-CoV-2, responsável pela pandemia de covid-19, manifestaram-se este sábado em várias capitais da Europa.

Em Berlim, Alemanha, onde se juntaram 18 mil pessoas, a manifestação foi interrompida pela Polícia, por desrespeitar as medidas de proteção sanitária.

A iniciativa tinha sido proibida pela Câmara Municipal, por "questões de saúde pública", mas o tribunal administrativo decidiu que "a existência de um perigo imediato para a segurança pública" não era um motivo válido, embora estabelecendo condições.

"A maior parte deles não cumpriu a distância mínima, apesar das repetidas exigências" da Polícia. "Não havia outra possibilidade a não ser dissolver a manifestação", apelidada de "festival de liberdade e paz" pelos "pensadores livres", ativistas antivacinas, partidários de teorias conspirativas e simpatizantes da extrema-direita.

"Nós somos o povo"

Muitos manifestantes permaneceram no local, sentados no chão, no meio da rua, gritando "resistência", ou "nós somos o povo", um "slogan" de extrema direita. Um grupo lançou pedras e garrafas contra a Polícia.

O promotor da manifestação, Michael Ballweg, empresário de informática que se diz sem rótulo político e lidera o movimento "Pensadores não conformistas-711", surgido em Estugarda, tinha considerado a tentativa de proibição como um "ataque à Constituição alemã".

Os seus partidários protestam contra a "ditadura" das medidas contra o coronavírus, responsável por 1500 novos contágios por dia nas últimas semanas (este sábado registou 1479 em 24 horas), alegando que são um obstáculo à sua liberdade.

No Reino Unido, onde este sábado se registavam 1 108 novos casos em 24 horas, milhares de pessoas de todo o país reuniram-se na praça londrina de Trafalgar para rejeitar as restrições impostas pelo Governo e rejeitar as campanhas que promovem a vacinação em massa. Exigindo o "fim da tirania médica", os manifestantes, muitos céticos negam a existência do coronavírus, apoiantes de teorias da conspiração e militantes do movimento antivacinas, pediram o fim do uso obrigatório de máscaras e de outras normas, considerando a pandemia um "engano" ou uma "brincadeira".

A França registou este sábado 5453 casos, mas três centenas de pessoas protestaram em Paris, na Praça da Nação, contra a obrigatoriedade da máscara, imposto há dias pelo Governo também nos espaços públicos por toda a cidade e exigiram o respeito pela sua liberdade. Manifestações idênticas realizaram-se também em cidades como Copenhaga (Dinamarca).

JN