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Almoços escolares podem ser servidos até às 15 horas

José Sena Goulão/LUSA

O ano letivo arranca entre hoje e o final da semana, dependendo de cada escola. Certo é que nada será como dantes.

"Haverá escolas a servir almoços entre as 11 e as 15 horas porque é a única forma de conseguir que todos os alunos almocem na cantina e com as distâncias de segurança", disse ao JN Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

Para além do alargamento do horário do almoço, em muitas cantinas foram colocados separadores em acrílico nas mesas para refeição e aos alunos que só têm aulas durante a manhã, será fornecido o almoço em regime takeaway para que o comam em casa.

"Estamos a reduzir a lotação das cantinas e a criar espaços alternativos para as refeições. A maioria dos alunos vai ter aulas só de manhã ou só de tarde, permitindo que almocem em casa mesmo os que vão ter a refeição em takeaway e estamos a desfasar os horários das turmas que têm aulas de manhã e de tarde", explicou Filinto Lima. "Todas as medidas são de caráter extraordinário e provisório", referiu.

"Sem uma proibição ou um incentivo" por parte do Ministério da Educação, os diretores de escola estão a reformar o número de máquinas de venda de alimentos. "Queremos que as máquinas vendam comida saudável, mas temos de aumentar o número de máquinas e colocá-las em vários locais para que não haja concentração de alunos a comprar comida", referiu ainda Filinto Lima.

No início do ano escolar marcado pela covid-19, a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (Degest) emitiu um conjunto de princípios orientadores para o funcionamento dos estabelecimentos de ensino onde frisa que o distanciamento dos alunos terá de ser feito também nas cantinas e bares. Com cantinas pequenas, espaços polivalentes e recintos amplos podem vir a ser usados pelos estudantes para almoçar.

Na escola ou em take-away, há capacidade para servir os almoços. É preciso garantir que há condições para confecionar corretamente a comida e com qualidade e quantidade", salientou Jorge Ascenção, líder da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap).

A Ordem dos Nutricionistas divulgou um conjunto de indicações, que para além da qualidade das refeições, as escolas devem ter em conta. "A disponibilização de talheres e guardanapos de papel em saquetas individuais, a eliminação de jarros com água" e o "desaconselhamento do uso de micro-ondas" são conselhos a ter em conta. Na prática, nos agrupamentos escolares, os alunos mais pequenos (da pré-primária e do 1.º ciclo) serão os primeiros a almoçar. Por cada turno de almoço, as mesas e as cadeiras têm de ser desinfetadas.

Horário fixo

Os restantes alunos que façam a refeição na cantina terão horário fixo para entrar de acordo com o horário das aulas. "As escolas vão alargar o horário de funcionamento em todas as áreas e os funcionários vão ter novas e acrescidas funções", disse Filinto Lima.

A Confap recomenda ainda "o reforço dos lanches" que os alunos trazem de casa, evitando deslocações ao bar ou às máquinas de vending. "As crianças já estão em risco e é preciso acabar com a ideia de que não há maior risco de contágio na escola do que fora da escola", frisou Jorge Ascenção, defendendo a "maior normalização possível" da atividade letiva e escolar.

Críticas às refeições

Em 2018, as refeições servidas nas escolas motivaram 854 reclamações. A maior parte está relacionada com a falta de pessoal (266), quantidade servida aos alunos (263) e qualidade dos alimentos (163).

Fiscalização em 2018

Uma sucessão de denúncias da fraca qualidade de refeições servidas por empresas privadas motivou uma fiscalização pelo Ministério da Educação, em 2018.

Emília Monteiro