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Nagorno-Karabakh: Combates já fizeram 68 mortos

Imagens divulgadas pelo Ministério da Defesa do Azerbaijão AFP

Pelo menos 28 soldados separatistas da região do Nagorno-Karabakh foram mortos esta segunda-feira em combates com o Azerbaijão, anunciou o ministro da Defesa desta província apoiada pela Arménia.

"Foram mortos em combate 28 militares", declarou, elevando o balanço no seu campo para 59 mortos, enquanto o Azerbaijão não forneceu qualquer informação sobre as suas baixas militares.

Baku referiu-se a sete civis mortos, incluindo seis membros de uma família azeri, e o Karabakh assinalou a morte de dois civis. Desde domingo, pelo menos 68 pessoas perderam a vida.

O balanço real pode, no entanto, ser mais elevado, com os dois campos a reivindicarem a morte de centenas de militares do exército rival.

As autoridades do Nagorno-Karabakh difundiram vídeos de corpos em uniforme com as caras desfocadas, e apresentados como soldados azeris mortos em combate.

A Arménia recorreu de urgência ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) para solicitar medidas provisórias face ao Azerbaijão.

"O Tribunal recebeu esta manhã um pedido de medidas provisórias da Arménia e que estão a ser examinadas", declarou um porta-voz do tribunal sem precisar sobre as medidas solicitadas.

O TEDH, o ramo judicial do Conselho da Europa com sede em Estrasburgo e que integra estes dois países do Cáucaso do sul desde 2001, foi solicitado com base no artigo 39 do seu regulamento e que lhe permite adotar medidas de urgência quando existe um risco iminente de danos irreparável.

No centro das deterioradas relações entre Erevan e Baku encontra-se a região do Nagorno-Karabakh. Este enclave de maioria arménia, integrado em 1921 ao Azerbaijão pelas autoridades soviéticas, proclamou unilateralmente a independência em 1991, com o apoio da Arménia.

Na sequência da uma guerra que provocou 30 mil mortos e centenas de milhares de refugiados, foi assinado um cessar-fogo em 1994 e aceite uma mediação russo-norte-americana-francesa designada Grupo de Minsk. No entanto, as escaramuças armadas permaneceram frequentes.

Em julho deste ano, os dois países envolveram-se em confrontos a uma escala mais reduzida que provocaram cerca de 20 mortos. Os combates recentes mais significativos remontam a abril de 2016, com um balanço de 110 mortos.

Uma guerra aberta entre os dois países poderá originar uma grave desestabilização de toda a região, em particular se a Turquia e a Rússia, com interesses divergentes no Cáucaso do Sul, intervierem no conflito.

Na noite de domingo, Araik Haroutiounian, presidente da autoproclamada república do Nagorno-Karabakh, acusou a Turquia de envolvimento direto no conflito. "Existem helicópteros turcos, F-16 e tropas e mercenários de diferentes países", disse.

A Arménia, país cristão desde o século IV, registou uma história tumultuosa desde a sua independência em 1991. Neste país situado numa região montanhosa, com três milhões de habitantes e uma superfície semelhante à do Alentejo, ocorreram revoltas e repressões mortíferas, e eleições muito contestadas, num contexto de derivas clientelistas e autoritárias pelos seus diversos dirigentes.

Na primavera de 2018, uma revolução pacífica levou ao poder o atual primeiro-ministro Nikol Pachinian, que impôs reformas destinadas a democratizar as instituições e combater a corrupção.

O Azerbaijão, um país com população de maioria xiita e junto ao mar Cáspio, permanece desde 1993 sob o controlo de uma única família. Heydar Aliyev, um antigo general do KGB soviético, dirigiu o país com mão de ferro até outubro de 2003, cedendo o poder ao seu filho Ilham algumas semanas antes de morrer.

À semelhança de seu pai, Ilham Aliyev não permitiu o surgimento de qualquer oposição. Em 2017, designou a sua mulher Mehriban para vice-presidente do país, a primeira mulher a assumir este cargo no país do Cáucaso.

JN/Agências