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Norte já terá passado o pico da pandemia, Centro e Lisboa ainda em alerta

A pandemia começa a dar sinais de desaceleração, mas de forma heterogénea nas várias regiões do país PAULO CUNHA /LUSA

Norte pode ter atingido pico e internamentos devem baixar. Fecho de escolas ainda sem impacto nos casos.

A pandemia começa a dar sinais de desaceleração, mas de forma heterogénea nas várias regiões do país - enquanto o Norte já pode ter atingido o pico, acredita o matemático Óscar Felgueiras, nas regiões do Centro e de Lisboa e Vale do Tejo a tendência de quebra vai ser bem mais lenta. Ontem, o país registou mais 293 mortes por covid-19 e 12 435 novos casos de infeção, passando as 700 mil infeções.

"Provavelmente, no Norte já se passou o pico. A única incerteza é o dia das eleições, mas os dados da mobilidade apontam para um impacto reduzido. Por isso, a manter-se a tendência, vamos começar a ter uma descida nos casos e a sentir um alívio nos internamentos esta semana", prevê Óscar Felgueiras, professor de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

Na região Centro, com uma taxa de incidência de 1797 casos (no Norte é de 1424) e especialmente em Lisboa e Vale do Tejo, com uma taxa de incidência de 2104 (a mais elevada de sempre numa região) e com uma prevalência de 50% da variante britânica, o abrandamento será "mais lento", estima o matemático especializado em epidemiologia.

"É quase inevitável" a variante britânica acabar por ser dominante em todo o país. Por isso, alerta, apesar dos sinais de desaceleração, o país ainda está sob um "tsunami", "porque está no pior sítio de todos": no top de mortes e de casos por milhão de habitantes.

"Esta semana vamos sentir melhor o efeito pelo fecho das escolas e isso será decisivo para se controlar a situação, especialmente na região de Lisboa", insistiu.

João Gouveia, coordenador da resposta em Medicina Intensiva, alerta que a taxa de ocupação dos cuidados intensivos em Lisboa está em 97% - numa situação de "pré-catástrofe"- e que, com esse nível, "não se consegue atender todos os doentes em tempo útil".

MÊS COM MAIS MORTES

Para Baltazar Nunes, os números também já mostram um "claro desaceleramento". No entanto, sublinhou o investigador do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), no Parlamento, "é imperativo", neste momento, continuar a baixar a transmissibilidade da doença e o número de casos na população.

"É muito difícil aplicar qualquer outro tipo de medidas menos restritivas", defendeu, alertando que os modelos matemáticos apontam para a necessidade de um confinamento de pelo menos dois meses para se reduzir o número de pacientes em UCI para 300.

Pelo 12.º dia consecutivo, Portugal registou mais de 200 mortes diárias. A barreira dos 100 óbitos diários foi ultrapassada no dia 8. Está longe das 66 mortes registadas no dia 1 e janeiro tornou-se o mês mais letal com 5273 óbitos (43,3% do total de mortes desde o início da pandemia).

O número de pacientes internados em UCI também não pára de aumentar este mês: a 31 de dezembro estavam 482, ontem 843. Os internamentos mais do que duplicaram, passando de 2840 para 6544.

À LUPA

Mais de 67% das mortes

Este mês, morreram mais 3434 idosos com mais de 80 anos. No total, desde o início da pandemia, foram 8199 (67,3% do total de óbitos por covid-19).

Duplicação de óbitos

No grupo etário dos 30 aos 39 anos, morreram 16 pessoas este mês. Desde o início da pandemia, tinham sido 13, pelo que o número mais do que duplicou.

Casos nos adolescentes

Há mais adolescentes (grupo etário dos 10 aos 19 anos) infetados do que idosos: são 66 601, mais 28 452 do que no início de janeiro. Acima dos 80 anos são 57 730, um aumento de 23 615.

Infeções nas crianças

O grupo etário dos 0 aos 9 anos foi o que mais aumentou as infeções neste mês: 76%, passando de 22 349 para 39 343 casos.

Alexandra Inácio