Desporto

Dragão em poupança marca passo em Oeiras

Portista Mehdi Taremi com Sphephelo Sithole, do Belenenses SAD AFP

F. C. Porto dominou jogo marcado pela lesão de Nanu, mas mostrou pouca lucidez e pode ficar a seis pontos do Sporting. Evanilson marcou mas estava fora de jogo por oito centímetros.

O F. C. Porto empatou diante do Belenenses (0-0) e corre o risco de ficar mais longe do topo da classificação caso o Sporting vença o Marítimo, na Madeira, esta sexta-feira. Numa deslocação tradicionalmente difícil - só venceu uma vez nas últimas cinco épocas na Liga -, o campeão nacional dominou e apresentou maior volume de jogo ofensivo, mas raramente revelou clarividência para desequilibrar a defesa contrária. E, na melhor ocasião de golo, encontrou um soberbo Kritciuk, que negou o sucesso a Taremi.

O calendário quase caótico dos portistas levou Sérgio Conceição a fazer poupanças - Marega, Corona e Luis Díaz -, num risco compreensível, mas sentido pela equipa durante a primeira hora e que influenciou o resultado final. O relvado, em mau estado, também condicionou o futebol mais técnico dos dragões.

O Belenenses foi solidário e rigoroso no plano defensivo - é a segunda defesa menos batida da Liga - e atacou quando o oponente deixou. Miguel Cardoso também podia ter escrito outra narrativa, mas Marchesín revelou sangue frio e competência. O jogo ficou muito marcado pelo choque de Kritciuk e Nanu, num lance controverso dentro da área e que gerou enorme apreensão face à gravidade da lesão do portista, que abandonou o relvado de ambulância, após ter caído inanimado.

Seduzidos pelo jogo direto

Num relvado em más condições a luta tornou-se intensa e o recurso ao jogo direto seduziu os azuis e brancos. Só que a opção não os favoreceu e permitiu ao Belenenses SAD respirar melhor. Com Fábio Veira a assumir o jogo, os dragões voltaram a dominar e a estar mais perto da baliza de Kritciuk. Evanilson festejou, mas estava em fora de jogo, por apenas oito centímetros.

Na segunda parte, o F. C. Porto manteve o domínio, mas sem lucidez na ligação ofensiva. Sérgio Conceição lançou Díaz, numa fase já de maior agitação, Corona e Marega. Os dragões acercaram-se da área, mas já com pouco critério e o esforço foi insuficiente. O infeliz incidente do final deixou a equipa portista reduzida a dez, pois o técnico acabou por não fazer a quinta substituição.

POSITIVO: Fábio Vieira deu luz ao ataque e trabalho a Kritciuk, que brilhou ao travar o cabeceamento de Taremi. Nanu agitou a ala direita, sobretudo na segunda parte. O trio de centrais dos azuis esteve exemplar.

NEGATIVO: Pepe e Marchesín desentenderam-se num lance em que quase "ofereceram" um golo. Miguel Cardozo esteve muito em jogo, mas paralisou e pareceu tremer no momento de enfrentar o keeper argentino.

ÁRBITRO: Perdoou o segundo amarelo a Yaya, que derrubou Uribe. E entendeu que o "choque" entre Nanu e Kritciuk foi legal, num lance complicado e de interpretação complexa.

Luís Antunes