Cultura

Regresso à simplicidade

Cadeira Vitsoe Direitos reservados

Clássicos do jazz e do cinema, clássicos do design e do voo planante digital. E uma chamada a pagar no destino.

Partiu Chick Corea, que ficará com uma autoestrada no jazz só para sí. Ei-lo em 1973, no álbum de estreia dos Return to Forever, "Light as a feather". O disco termina com "Spain", épica revisão de "Concierto de Aranjuez" de Joaquín Rodrigo. Em redor do piano de Corea, o contrabaixo de Stanley Clarke, os sopros de Joe Farrell, as percussões de Airto Moreira e a voz de Flora Purim.

Como se chegou à Nouvelle Vague? Os 16 filmes franceses que a plataforma de streaming Filmin disponibiliza a partir de hoje, sob o título "Je ne sais pas quoi faire", apontam caminhos. Com obras de Jean Renoir, Sacha Guitry, Max Ophuls, Robert Bresson, etc.

Se não se pode ir ao teatro, o teatro chega por telefone. Neste fim de semana, a companhia Visões Úteis disponibiliza a peça para chamada de voz "Um artista da fome", uma adaptação de um conto de Franz Kafka.

As peças de mobiliário da Vitsoe são arte para todos os dias. Mas a marca nascida na Alemanha em 1959 e agora sediada no Reino Unido também faz arte por outros meios. Os seus dez mandamentos do bom design merecem ser impressos e afixados em local visível, até porque se podem aplicar a bastante mais do que ao design. O seu colaborador mais marcante é Dieter Rams, génio do design industrial, funcional, minimal - é favor conferir também as suas criações para a Braun.

O design sonoro do projeto Illuvia, do produtor sueco Ludvig Cimbrelius, pode casar a rigor com a parafernália da Vitsoe. O álbum "Iridescence of clouds" mistura o nervoso do drum & bass com a contemplação new age. E faz voar - rumo ao fim de semana.

Jorge Manuel Lopes