Gondomar

Governo disponibiliza mais 2,2 milhões para retirar resíduos de São Pedro da Cova

Foi detetado que existem mais 28 mil toneladas de resíduos perigosos face ao cálculo anterior Ivo Pereira / Global Imagens

O Governo vai disponibilizar 2,2 milhões de euros para prolongar a remoção dos resíduos perigosos de São Pedro da Cova, Gondomar, depois de ter sido detetado que existem mais 28 mil toneladas, revelou esta quinta-feira o presidente da câmara.

Em declarações à agência Lusa, Marco Martins explicou que "no decorrer dos trabalhos em curso" nas escombreiras das antigas minas de carvão de São Pedro da Cova de onde estão a ser retirados os resíduos perigosos ali depositados, foi detetado que existem mais 28 mil toneladas face ao cálculo anterior.

"Mas a boa notícia é que o ministro [do Ambiente, Matos Fernandes] já se comprometeu a fazer uma adenda ao contrato [que visa a remoção] e vai disponibilizar mais 2,2 milhões de euros. Aplaudimos a decisão porque assim não há interrupção de trabalhos como aconteceu na primeira fase", disse Marco Martins.

De acordo com o autarca, estas 28 mil toneladas adicionais agora detetadas correspondem a mais 20% de resíduos ainda por retirar.

O último cálculo feito sobre os resíduos industriais perigosos apontava para a existência de ainda 137 mil toneladas no local, isto depois de no passado já terem sido retiradas 105 600 toneladas.

À Lusa, Marco Martins descreveu que se deslocou esta manhã ao local com o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e que este lhe garantiu "ter luz verde" da tutela para prolongar o processo de remoção dos resíduos que teve início em outubro do ano passado.

O autarca de Gondomar referiu que os trabalhos "que iriam acabar em agosto deste ano devem prolongar-se até outubro".

"Existe um problema, foi detetado, mas também já há solução", disse Marco Martins.

A adenda ao contrato que garante a remoção, empreitada a cargo da CCDR-N, terá contemplados 2,2 milhões de euros.

Na terça-feira, relativamente à remoção dos resíduos perigosos depositados em São Pedro da Cova, freguesia do concelho de Gondomar, distrito do Porto, o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, informou que a empreitada está a dois meses do final e que foi descoberto que "há provavelmente mais 20% a mais de resíduos do que o LNEC [Laboratório Nacional de Engenharia Civil] estimou", o que "implica mais 2,2 milhões de euros de investimentos".

"Temos de o fazer, não podemos perder esta oportunidade", expôs o ministro no âmbito de uma audição regimental na comissão parlamentar de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território.

Em causa está uma situação que remonta a 2001/2002 e as toneladas de resíduos industriais perigosos provenientes da Siderurgia Nacional, que laborou entre 1976 e 1996, na Maia, e foram depositadas em São Pedro da Cova, freguesia de Gondomar, no distrito do Porto.

A remoção destes resíduos começou em outubro de 2014, mais de 10 anos depois do depósito, tendo terminado em maio do ano seguinte, com a retirada de 105 600 toneladas.

Para dar seguimento à operação, o Estado alocou a esta empreitada 12 milhões de euros do Fundo Ambiental.

O concurso registou sete candidatos e em abril de 2018 foi anunciado que a remoção terminaria em 2019, mas o processo foi adiado devido a uma impugnação judicial que só conheceu um desfecho a 15 de novembro de 2019.

Ao longo dos anos, esta situação motivou perguntas e requerimentos de partidos políticos, bem como iniciativas locais como vigílias, concentrações e protestos, e o envio ao primeiro-ministro, António Costa, de milhares de postais com a frase "Remoção total dos resíduos perigosos em São Pedro da Cova já", acompanhada de imagens a simbolizar sinais de perigo.

JN/Agências