Entrou discretamente e sentou-se. Mas de cada vez que um orador da III Convenção do Movimento Europa e Liberdade, que juntou em Lisboa os protagonistas do centro-direita que procuram uma alternativa ao centro-esquerda, mencionava o seu nome, o arrebatamento percorria a sala.
O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho é hoje a única personalidade capaz de federar e mobilizar um eleitorado descrente e que, por falta de soluções para os seus problemas, tende a correr para os braços das extremidades.
E mantém esse capital intacto, independentemente de lhe apontarem os erros de tempo político que cometeu e que o impediram de mudar mais depressa do constrangimento para o crescimento, permitindo a solução inédita de um Governo PS com o apoio parlamentar de toda a Esquerda.
Passos Coelho ganhou duas eleições, e conseguiu-o porque mobilizou uma parte do centro, agregando o seu eleitorado natural. Simples.
E é por isso que a "convenção" das direitas, mais do que uma iniciativa que procura alternativas, reflete dois sintomas e um drama: o da fragmentação do espaço político não socialista, espartilhado e radicalizado, e a ausência de uma alternativa que os portugueses considerem como viável.
O drama foi o de acabar a discutir-se a si própria, apontando críticas ao PSD de Rui Rio, ora acusando a necessidade de conquistar o centro, ora rejeitando qualquer cedência ao bom senso. Tudo tendo como ponto alto o somatório de siglas partidárias, sem ideias novas, sem um vislumbre de um caminho diferente.
Foi um colóquio da orfandade do legado, goste-se ou não, de quem estava sentado na primeira fila. Mas esse, por mais que o chamem, vai continuar sentado, a ouvir.
Ele, sim, agora sabe qual é o seu tempo político.
Diretor-Geral Editorial