Aveiro

Providência cautelar não trava novo "Rossio" de Aveiro

Imagens do projeto de requalificação do Rossio, orçado em 12,4 milhões de euros DR

Trabalhos preparatórios da empreitada polémica arrancam nos próximos dias e obras iniciam-se após o verão.

A odisseia para a requalificação do Rossio, em Aveiro, continua. O movimento de cidadãos "Juntos pelo Rossio" interpôs uma providência cautelar, no Tribunal Fiscal e Administrativo (TAF) do Porto, para travar a obra, com efeitos suspensivos sobre a execução do contrato. A Câmara, ontem, aprovou um documento para levantar essa suspensão, mas que carece ainda de aprovação do tribunal. O certo é que Ribau Esteves, presidente da Autarquia, já avançou com datas. Nos próximos dias, iniciam-se os atos preparatórios para o arranque da obra. E na última quinzena de setembro, ou na primeira de outubro, começa a empreitada, propriamente dita, de uma requalificação que vai custar 12,4 milhões de euros.

"A interposição dessa providência cautelar, além de uma ação principal que continua a tramitar, tem efeitos suspensivos sobre a execução do contrato, que, entretanto, já tem visto do Tribunal de Contas", contextualizou Ribau Esteves, na reunião camarária de ontem. E explicou também que para os efeitos suspensivos serem levantados era necessário o executivo municipal "tomar uma deliberação, que tem o nome de resolução fundamentada, que justifica o interesse público da obra e a premência da sua execução".

Posições contra

Ribau diz que a aprovação da resolução fundamentada, por parte do tribunal, levanta "de imediato" os efeitos suspensivos da providência cautelar. Mas David Iguaz, líder do "Juntos pelo Rossio" e autor da providência cautelar, aproveitou o período de intervenção do público para contradizer o autarca. "Falou como se com a resolução fundamentada o projeto avançasse, mas sabe que isso não é verdade. Isto agora segue para tribunal, que é quem vai decidir se aceita a sua resolução. Não fale como se isto fosse para avançar", alertou o munícipe.

A Câmara está convicta, no entanto, que os trabalhos vão poder prosseguir em breve. Por isso, Ribau adiantou que, em julho e agosto, vai ser feita uma vistoria a todos os edifícios que têm frente para a futura empreitada e montado o estaleiro. Após o verão, começa "a obra mais bruta", que se inicia pelo edifício subterrâneo, onde vai ficar um parque de estacionamento, baterias sanitárias e estação elevatória de águas residuais.

Os dois vereadores da Oposição (do PS) votaram contra a proposta de resolução fundamentada e continuam contra uma obra que dizem ser um "atentado à identidade e memória de Aveiro".

Zona verde

A área verde do Rossio passa a ter 6469 metros quadrados (mais 64 do que o atual) e um novo parque arbóreo com 107 árvores (mais seis do que hoje em dia). Haverá espaço para um bar/esplanada e parque infantil.

Parque subterrâneo

O prazo de execução da obra é de 16 meses. A empreitada foi adjudicada a um consórcio de empresas, liderado pela aveirense Cimave e pela Tecnorém, que terão uma concessionária, a Empark, a gerir um parque de estacionamento subterrâneo que irá ser construído.

Este novo parque de estacionamento, tal como o que já existe no Mercado Manuel Firmino, fica concessionado por 40 anos. O consórcio pagará à Câmara, pelas quatro décadas de concessão, 2,5 milhões de euros e ainda uma renda mensal de 24 mil euros.

Centro Interpretativo

O parque subterrâneo terá 219 lugares para automóveis e um Centro Interpretativo da história do Rossio. À superfície, o estacionamento automóvel reduz para menos de metade.

Salomé Filipe