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Indonésia enfrenta crise de oxigénio nos hospitais

Indonésia enfrenta falta de oxigénio nos hospitais, causando a morte a 63 pessoas Rezas/AFP

Governo da Indonésia ordenou que as empresas produtoras de oxigénio deem prioridade às necessidades médicas para fazer face ao aumento de casos de covid-19 e à escassez de oxigénio em algumas cidades do país.

Segundo a porta-voz do ministério da Saúde do país, Siti Nadia Tarmizi, o governo pediu às empresas de gás para aumentar a produção de oxigénio para os hospitais, depois de se ter verificado no fim de semana, no Hospital Sardjito, a morte de 63 pessoas.

Vários hospitais na cidade de Bandung relataram, no início da semana passada, que ficaram sem oxigénio, levando a que no fim de semana os serviços de emergência médica do Hospital Geral Regional de Bandung (RSUD) não recebesse mais doentes infetados com covid-19. Outros hospitais da cidade montaram tendas no exterior para conseguir atender todos os pacientes.

O chefe do hospital em Bandung contou à BBC que "há quatro dias havia falta de fornecimento de oxigénio de distribuidores e vendedores", o que obrigou o médico a tentar "tornar o uso de oxigénio mais eficiente".

Um outro médico do hospital Smart Pamekasan revelou também que "todos os dias chegam ao hospital muitas pessoas, 10 a 15 pacientes com covid-19, havendo muitas filas". A tenda de emergência montada no local deixou entretanto de ser suficiente e há pacientes que não puderam ser atendidos.

O aumento do número de pessoas infetadas com covid-19 na Indonésia, que regista 25 mil novos casos todos os dias, está relacionado com o aumento das viagens e a variante delta. O Governo decretou também que os serviços de telemedicina passem a ser gratuitos para os doentes covid-19 que apresentem sintomas ligeiros, de maneira a conseguir reduzir a pressão dos hospitais.

O serviço de medicina à distância vai ser fornecido pelas empresas de saúde digital Alodokter e Halodoc a partir de terça-feira, sendo disponibilizadas consultas gratuitas e entrega de medicamentos, segundo aponta o ministro da Saúde, Budi Gunadi Sadikin.

"Pacientes com resultados positivos à covid-19 podem obter serviços médicos a tempo, sem esperar na fila dos hospitais, para que os hospitais possam dar prioridade a pacientes com sintomas críticos", referiu Budi Gunadi Sadikin.

A Indonésia continua a vacinar a população, principalmente com a vacina da China, Sinovac, cuja administração de uma terceira dose está a ser avaliada pelos especialistas, no sentido de aumentar a eficácia contra a variante delta.

O governo também impôs medidas de restrições de emergência para as ilhas de Java e Bali para controlar a disseminação do vírus e, a partir de terça-feira, o país vai restringir a entrada de turistas estrangeiros, permitindo apenas a entrada de pessoas que estejam totalmente vacinadas ou que apresentem um teste negativo à covid-19 . Os turistas vão ainda ter que realizar uma quarentena de oito dias após a chegada ao país.

Patrícia Martins