Agente de viagens condenada por ter utilizado cartão de crédito de CR7 embolsou os pagamentos de 35 viagens de colegas do craque.
Os ex-jogadores de futebol Costinha, Simão Sabrosa, Custódio e Manuel Fernandes também eram clientes da agente de viagens que usou o cartão de crédito de Cristiano Ronaldo para sacar 288 mil euros. Sem saberem, os ex-internacionais portugueses transferiram o valor de 35 viagens para a conta pessoal da arguida, que compensava depois a agência Geostar, saqueando, principalmente, a conta bancária de CR7.
Foram perto de 57 mil euros que, entre 2008 e 2010, os quatro futebolistas transferiram para Maria Silva, a ex-funcionária da agência de viagens Geostar que conseguiu cobrar a Ronaldo 200 deslocações e estadias que ele nunca efetuou.
De acordo com o acórdão do Tribunal do Porto, onde a arguida foi condenada em 2017 a quatro anos de cadeia, com pena suspensa, só Francisco José Costa, conhecido como Costinha, encomendou-lhe 20 viagens, num total de 22 439 euros. O treinador, que na altura jogava no Atalanta, em Itália, foi transferindo o dinheiro para uma conta pessoal de Maria Silva, por indicação desta.
Também Custódio Dias de Castro, que jogou no Sporting, Dínamo de Moscovo (Rússia) e V. Guimarães e Braga, acreditou estar a pagar à Geostar nove deslocações, quando transferiu, entre 2008 e 2009, um total 11 655 euros, para a conta de Maria Silva.
Simão pagou 3900 euros
Já Simão Sabrosa apenas encomendou uma viagem à ex-funcionária da Geostar, que trabalhava em exclusivo para clientes VIP, no escritório do Porto da empresa de Jorge Mendes, a Gestifute. Foi em novembro de 2009 e custou 3900 euros, que Simão, então a jogar no Atlético de Madrid, também transferiu para Maria Silva.
Manuel Fernandes, que foi ao mesmo tempo vítima do esquema, transferiu 18 915 euros.
Estes quatro ex-jogadores não foram os únicos atletas usados pela agente de viagens para sacar um total de 350 mil euros. Tal como o JN já noticiou, as 27 viagens efetuadas pelo antigo médio do Benfica e Atlético de Madrid Tiago foram debitadas na conta de CR7.
O esquema da agente de viagens consistia em receber os pedidos de deslocações por parte dos jogadores agenciados por Jorge Mendes. Marcava-as e recebia em dinheiro, cheque ou por transferência, que encaminhava para as suas contas pessoais, em vez das da Geostar.
Para não ser detetada e a agência receber na mesma os valores, a mulher debitava o dinheiro na conta de Ronaldo. Por comodidade, CR7 tinha-lhe fornecido um cartão de crédito e os códigos.
O esquema de Maria Silva também lesou o "superagente" Jorge Mendes, as suas empresas Gestifute e Polaris, além dos jogadores Nani e Manuel Fernandes, num total de 350 mil euros. Após descobrir e travar o esquema, a Geostar reembolsou na íntegra todos os clientes.
JULGAMENTO
Confessou todas as fraudes aos futebolistas
Maria Silva começou a sacar dinheiro da conta de Cristiano Ronaldo em 2007. Mas ao fim de três anos o esquema foi descoberto pela empresa Geostar e a agente demitiu-se, assumindo a culpa. Sofria de uma patologia de consumismo excessivo e gastou tudo. Também no julgamento fez uma confissão integral e sem reserva. Foi condenada por burla qualificada e falsificação de documentos a quatro anos de prisão com pena suspensa condicionada ao pagamento de nove mil euros à empresa. Hoje empregada de limpeza, continua a reembolsar o prejuízo.