Castelo Branco

Há quatro interessados em recuperar a Dielmar

Os dias continuam incertos para quem trabalha há décadas na empresa de confeções em Alcains PEDRO REIS MARTINS/LUSA

Administrador de insolvência pediu ao tribunal para adiar assembleia de credores porque há mais duas propostas de interesse que podem juntar-se às já formalizadas.

O administrador de insolvência da empresa de confeções Dielmar, em Alcains, no concelho de Castelo Branco, solicitou ao tribunal, face a novos cenários, a suspensão da assembleia de credores por 15 dias. Esta reunião está marcada para amanhã. Isto porque, após a entrega do relatório no Juízo de Comércio do Tribunal Judicial da Comarca de Castelo Branco, o administrador do processo, João Gonçalves, recebeu mais duas manifestações de interesse consideradas "sérias" para a viabilização da empresa de confeções.

"São mais duas propostas em perspetiva", assegura ao JN João Gonçalves para quem este processo está a seguir os "seus trâmites normais". "O adiamento possibilitaria existir não duas mas quatro ou mais propostas mais consistentes", completa João Gonçalves.

Relativamente às propostas formalizadas em relatório para a viabilização da empresa, são idênticas mas distintas no valor. Pretendem a aquisição do edifício fabril, localizado na vila de Alcains, ficar com os trabalhadores e com a marca Dielmar. Uma demonstração de interesse parte de uma empresa do setor, a operar na região de Leiria. A outra proposta envolve um empresário com um projeto a ser criado para o efeito.

O responsável judicial confirma ao JN a desistência do consórcio constituído por cinco empresas, algumas das quais do Norte.

Procura de melhor solução

"A suspensão poderia permitir, mediante o processo negocial que for julgado necessário, adequar os termos de alguma das manifestações de interesse, convertendo-a em proposta considerada suficientemente consistente para concretizar a venda da unidade fabril com preservação dos postos de trabalho", sustenta o administrador no relatório.

No âmbito do Apoio Extraordinário à Retoma Progressiva, os salários de agosto e setembro foram pagos aos trabalhadores. Quanto aos de outubro, todas as propostas garantem o pagamento do ordenado deste mês.

A empresa de alfaiataria tem marca com o mesmo nome, marca esta que está confiscada neste processo de dívidas que ascendem aos 17 milhões de euros. Os maiores credores são o Instituto de Segurança Social, em mais de um milhão de euros, e a Banca.

Caso a assembleia de credores de amanhã não delibere pela suspensão dos seus trabalhos pelo prazo de 15 dias, poderá ser determinado o encerramento do estabelecimento com a caducidade dos contratos de trabalho, cenário este que se pretende afastar.

"Independentemente da posição assumida pela própria devedora, é convicção do administrador da insolvência que a Dielmar poderá vir a conseguir criar as condições necessárias para a viabilização do seu estabelecimento industrial", lê-se no relatório que está no tribunal.

NOTAS

Criada em 1965

A Dielmar foi criada em 1965, por quatro alfaiates. A unidade possui atualmente uma capacidade produtiva instalada de cerca de 120 mil casacos por ano e 240 mil calças por ano.

Dez milhões em dívida

A sentença de declaração de insolvência da Dielmar foi proferida a 2 de agosto. São mais de 100 os credores que reclamam uma dívída que ultrapassa os 10 milhões de euros.

Ajudas do Estado

A firma absorveu oito milhões de euros do erário público em ajudas na última década. A pandemia e a debilidade financeira sustentaram o pedido de insolvência.

Célia Domingues