Porto

Hotel e edifício com 60 apartamentos na Rua 5 de Outubro

Terreno onde será construído o edifício de habitação, com espaços comerciais Rui Oliveira/Global Imagens

Projetos distintos seguem em simultâneo na zona da Boavista, no Porto. Demolidas casas dos anos 1920 e 1930.

Oito casas unifamiliares construídas nas décadas de 20 e 30 do século passado e que há muito se encontravam devolutas, na Rua 5 de Outubro, no Porto, foram demolidas. No local, vai nascer um edifício destinado maioritariamente à habitação, "estando prevista a construção de 60 fogos e de sete frações destinadas a comércio ou serviços", esclareceu, ao JN, fonte da Câmara do Porto.

Do outro lado da rua, ao lado da bomba de gasolina, e na proximidade do viaduto de Pedro Hispano, também houve demolições. Para este local, onde chegaram a funcionar duas agências imobiliárias, encontra-se aprovado "um projeto para construção de um edifício destinado a uma unidade hoteleira", explicou a mesma fonte municipal, acrescentando que o facto de as demolições terem ocorrido "em simultâneo" foi "apenas coincidência".

Chegou a ser defendido que as casas em banda, na esquina com a Rua Moreira de Sá, deviam ser reabilitadas e até classificadas como Imóveis de Interesse Público. Mas isso nunca chegou a acontecer. Ainda no ano passado, uma tese de mestrado da Escola Superior Artística do Porto propunha a reabilitação do conjunto habitacional que apresentava "uma forte persistência da memória da cidade contemporânea".

Azulejos preservados

Ao que o JN conseguiu apurar, o Município do Porto ainda conseguiu salvaguardar alguns dos painéis de azulejos que estavam nos frisos, de estilo Arte Nova e reconhecidos como provenientes da conhecida Fábrica de Sacavém. Aliás, um dos painéis desses azulejos consta do Banco de Materiais da Câmara.

Já sobre a construção daquelas habitações, sabe-se que foi em 1922 que foi pedida a licença de construção das primeiras quatro moradias geminadas. Em 1930, começaram a ser construídas mais quatro, em tudo similares às primeiras, contando com um projeto do arquiteto Inácio Pereira de Sá.

Marta Neves