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Bento XVI pede perdão a vítimas de abusos e nega ter protegido padres

Caricatura de Josef Ratzinger pintada numa carrinha em Munique, na Alemanha, a denunciar o alegado silêncio do então arcebispo da capital da Baviera Christof Stache / AFP

O papa emérito Bento XVI pediu perdão, esta terça-feira, pela violência sexual cometida pelo clero, mas negou ter encoberto padres que cometiam abusos ao tempo em que era arcebispo de Munique.

Numa carta divulgada pelo Vaticano, três semanas após a publicação de um relatório independente na Alemanha que acusou Bento XVI de inação diante dos abusos cometidos no arcebispado de Munique, o papa emérito afirma que nunca deu cobertura às agressões.

"Só posso expressar a todas as vítimas de abusos sexuais a minha profunda vergonha, a minha grande dor e meu sincero pedido de perdão", escreveu o papa emérito.

"Em todos os meus encontros com vítimas de abusos sexuais de padres (...) percebi nos seus olhos as consequências de uma grande culpa e aprendi a entender que nós mesmos somos vítimas desta grande culpa quando a negligenciamos ou quando não a enfrentamos com a decisão e responsabilidade necessárias, como já aconteceu e acontece muitas vezes", afirmou na carta.

"Maior é minha dor pelos abusos e erros que aconteceram durante a minha missão nos respetivos lugares", acrescenta o cardeal Joseph Ratzinger, que foi arcebispo de Munique de 1977 a 1982, e papa de 2005 a 2013.

O relatório publicado na Alemanha sobre os abusos sexuais contra menores de idade no arcebispado de Munique e Freising critica o então cardeal Ratzinger, que teria sido informado sobre as agressões cometidas por um padre, Peter Hullermann.

Num documento também divulgado nesta terça-feira pelo Vaticano, conselheiros do papa emérito rebateram as acusações apresentadas no relatório alemão, que analisaram de forma detalhada.

"Quando foi arcebispo, o cardeal Ratzinger não esteve envolvido em tentativas de dissimular abusos", afirmam os quatro conselheiros, antes de destacar que o relatório tem informações "inexatas".

Na carta, em que se condessa "consternado", Ratzinger também agradece ao sucessor, o papa Francisco. "Pela confiança, apoio e orações que expressou pessoalmente", disse.

JN/Agências