Os acionistas da Apple decidiram votar contra um bónus de 99 milhões de dólares que Tim Cook recebeu no ano passado. O CEO da empresa recebe 1447 vezes mais do que a média dos funcionários da Apple, de acordo com um documento divulgado em janeiro.
O grupo consultivo de investidores, Institutional Shareholder Services (ISS), solicitou aos acionistas da Apple que votassem contra o pagamento de 99 milhões de dólares concedido no ano passado ao chefe da Apple, Tim Cook.
Numa carta aos acionistas, a empresa de consultoria escreveu que havia "preocupações significativas relativamente à conceção e magnitude do prémio de participação" atribuído a Cook em 2021, acrescentando que metade do prémio "carece de critérios de desempenho".
No entanto, o voto contra é apenas consultivo e o conselho de administração da Apple não é obrigado a agir em conformidade.
Tim Cook, de 61 anos, tem uma fortuna pessoal de 2,3 mil milhões de dólares, de acordo com a revista Forbes, e tem sido um crítico vocal da desigualdade social e económica e até se comprometeu em doar a fortuna antes de morrer.
No ano passado, Cook levou para casa três milhões de dólares em salário, e recebeu 82,3 milhões de dólares em prémios de ações, 12 milhões de dólares por atingir os objetivos, e mais 1,4 milhões de dólares por viagens aéreas, contribuições para planos de reforma, prémios de seguros e outras contribuições.
Em 2021, a sua remuneração salarial valia 98,7 milhões de dólares, valor bastante inferior em comparação com os 14,8 milhões de 2020. O CEO da empresa recebe 1447 vezes mais do que a média dos funcionários da Apple, de acordo com um documento divulgado em janeiro.
A empresa de tecnologia tem sido uma das grandes vencedoras da pandemia. O preço das ações da Apple subiu à medida que o covid-19 empurrava os trabalhadores para a Internet.
Em janeiro, a empresa registou um rendimento recorde de 123,9 mil milhões de dólares, 11% acima do ano passado e superior ao que os analistas tinham esperado, por isso conseguiu escapar até agora ao colapso das ações experimentado por alguns outros gigantes de tecnologia, como a empresa de Mark Zuckerberg, a Meta.