De norte a sul, concertos, exposições e livros assinalam o percurso marcante do cantor e compositor.
É um nome incontornável da música portuguesa, cuja carreira se cruza com a história de Portugal. Adriano Correia de Oliveira completaria este sábado 80 anos e a data é pretexto para celebrações um pouco por todo o País.
Em Vila Nova de Gaia, onde o cantor e compositor viveu, decorre a exposição coletiva "Homenagem a Adriano Correia de Oliveira", na Casa da Cultura Francisco Marques Rodrigues Júnior, no Largo do Palheirinho, Avintes. A mostra é organizada pela Artistas de Gaia - Cooperativa Cultural e pode ser visitada até 26 deste mês.
Avintes, terra que recebeu o músico desde muito novo, está aliás a celebrar a sua vida desde março, e daqui nasceu também uma exposição itinerante sobre o seu percurso que, nos próximos meses, irá percorrer o país.
No Porto, um concerto celebra a vida e obra do homem que "travejava a sua atividade de artista empenhado nas lutas do povo a que pertencia". A Casa da Música, que assim o descreve, acolhe no próximo domingo um espetáculo de homenagem a Adriano Correia de Oliveira. O concerto, esgotado, conta com Zeca Medeiros, Brigada Vítor Jara, Carlos Alberto Moniz, Trabalhadores do Comércio, Samuel e Vozes da Rádio, entre outros.
Alegre em Setúbal
Em Coimbra, onde nasceu a canção que se tornou também sua e onde chegou a estudar, a data é assinalada com uma mostra na Casa Municipal da Cultura, incidindo sobre um acervo de capas de discos do cantautor.
Setúbal é palco de um espetáculo na Igreja do Convento de Jesus no próximo sábado a partir das 21 horas. A primeira parte fica a cargo de Fernando Ferreira Mendes, viola e voz, e Fernando Monteiro, guitarra de Coimbra. Depois atua Paulo Bragança. O evento conta ainda com Manuel Alegre, amigo de Adriano e autor do poema do seu tema mais conhecido, "Trova do vento que passa".
Em Lisboa, a programação da Biblioteca de Alcântara inserida no evento Abril em Lisboa, da EGEAC, inclui esta sexta-feira, pelas 18 horas, a iniciativa "Zeca e Adriano: Da balada de Coimbra ao canto de intervenção". Neste ano em que se assinalam também os 35 anos da morte de José Afonso, a Associação José Afonso e a Biblioteca de Alcântara prestam homenagem a dois dos maiores vultos da música portuguesa através de duas palestras, animadas com música. Também em Alcântara um concerto no sábado, dia 9, começa na Academia de Santo Amaro pelas 17 horas, com nomes como Filipe Lopes e Vítor Sarmento.
O Espaço Vita, em Braga, receberá outro concerto evocativo da obra de Correia de Oliveira, desta vez pelo Grupo Canto D"Aqui e Orquestra Filarmónica de Braga. Acontece a 23 de abril, com entrada livre.
Num ano de festejos e reflexão, o Centro Artístico, Cultural e Desportivo Adriano Correia de Oliveira, criado em 1995 em Avintes para promover a obra do artista, associa-se a muitas destas e outras iniciativas, no âmbito do que chamou de Projeto Adriano80. Este inclui a referida exposição itinerante sobre a sua vida, o lançamento de uma serigrafia e a edição de um álbum de banda desenhada, "O perigoso pacifista - Episódios da vida de Adriano Correia de Oliveira", bem como do livro "Adriano, um canto em forma de Abril - 80 anos".
Até 1 de maio são também esperados outros concertos em Lisboa, Guimarães, Aveiro e Gaia.
Adriano Correia de Oliveira nasceu em 1942 e morreu em 1982, aos 40 anos. Foi condecorado, a título póstumo, como Comendador da Ordem da Liberdade e Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.