Guimarães

Academia Musical reinventa espaço para ensino qualitativo

Da Academia de Música Valentim Moreira de Sá, em Guimarães, têm saído excelentes músicos que pululam um pouco por todo o país. No entanto, a exiguidade das instalações não permite que a instituição avance para um patamar superior de qualidade e de oferta.

Quem calcorreia a calçada do Largo Condessa do Juncal, no centro histórico de Guimarães, já estranha se não ouvir o ecoar dos instrumentos musicais que emana do interior do edifício onde já funcionou um asilo de inválidos. Aqueles sons, muitas vezes a "saltarem" para a rua que nem uma fusão de sons, são fruto do ensino de qualidade que diariamente se ministra na Academia de Música Valentim Moreira de Sá, da responsabilidade da Sociedade Musical de Guimarães. Contudo, o romantismo do edifício e do espaço envolvente não é suficiente para que os responsáveis da Academia não lamentem o facto de não possuírem instalações compatíveis com a afluência diária ao edifício. "É um grande entrave ao desenvolvimento das nossas actividades", assumiu o director Armindo Cachada.

O edifício é propriedade da Misericórdia de Guimarães e tem vindo a sofrer algumas adaptações, tem sido quase reinventado para poder albergar as funcionalidades de uma Academia de Música. Espaços exíguos, alguns com pouca ou nenhuma acústica que são utilizados com recurso a muita imaginação e criatividade por parte dos responsáveis. "As condições são as mínimas exigidas pelo Ministério da Educação para a Academia poder funcionar mas ficam aquém das ideais para um ensino de maior qualidade", explicou o director.

Em marcha estão já algumas diligências para que a situação se resolva mas não há nenhuma data que se possa apontar para que a Academia de Música possa ser brindada com instalações que façam jus à imagem que granjeia em Portugal e em alguns países europeus, onde cimenta parcerias com instituições congéneres. "Há perspectivas de resolução desta questão num diálogo que tem sido mantido com a Câmara Municipal e com a Fundação Cidade de Guimarães mas, para já, nada de concreto", esclareceu Armindo Cachada. Este responsável quer aproveitar o embalo do projecto Capital Europeia da Cultura 2012 para que possam mudar de casa, ou então para que nessa altura já seja possível balizar no horizonte, de forma concreta, qual o melhor caminho a seguir.

Nesta altura a Academia aposta forte na articulação com o ensino regular e tem em vigor quatro protocolos com outros tantos Agrupamentos Escolares do concelho que faz com que receba nas suas instalações cerca de uma centena de alunos. "Os professores da Academia vão às escolas leccionar as aulas teóricas e os alunos recebem as lições práticas nas instalações da Academia onde têm acesso aos instrumentos", contou Cachada.

A Sociedade está também apostada em permitir o acesso ao ensino de música do mais variado leque de pessoas e, nesse sentido, tem desenvolvido uma política de ajuda às famílias que, fruto da crise, ficaram sem possibilidade de suportar os encargos.

CARLOS RUI ABREU