Marta Temido é a ministra mais popular e Fernando Medina o único que parte com um saldo negativo para a nova legislatura, de acordo com o barómetro da Aximage para o JN, DN e TSF.
A titular da pasta da Saúde consegue, aliás, um resultado melhor do que o do Governo no seu conjunto, destacando-se, não só do seu colega das Finanças, mas também de Mariana Vieira da Silva (Presidência), Pedro Nuno Santos (Infraestruturas e Habitação) e José Luís Carneiro (Administração Interna).
A ministra da Saúde esteve sempre na linha da frente durante os dois anos mais duros de pandemia e a avaliação dos portugueses é generosa (e muito semelhante à do primeiro-ministro), com um saldo positivo de 30 pontos (diferença entre avaliações positivas e negativas).
Temido tem o beneplácito de todos os segmentos da amostra (geografia, género, idade, classe social e voto partidário), com uma única exceção: os eleitores do Chega. Nesta matéria fica até melhor na fotografia que o presidente da República, que também tem saldo negativo entre os comunistas. É particularmente valorizada pelas mulheres, pelos que vivem em Lisboa, e quase idolatrada pelos socialistas (72% de avaliações positivas).
Um ministro "chumbado"
No polo oposto deste conjunto de cinco ministros - selecionados a partir da sua relevância política no PS e da importância das suas pastas - está Fernando Medina, o único com saldo negativo (cinco pontos). O facto de ter sido autarca de Lisboa (desalojado por Carlos Moedas, em outubro do ano passado) faz com que nesta região seja menor a indiferença perante o ministro das Finanças. Para o melhor e para o pior.
É em Lisboa que Medina tem mais avaliações positivas, mas também mais notas negativas, com saldo final igualmente negativo (três pontos). Ainda assim, e excluindo os segmentos partidários, consegue chegar a uma média positiva entre as mulheres (que aliás são mais generosas para todos os ministros do que os homens) e entre os que têm 65 anos ou mais (que também são os mais fiéis de António Costa).
Com saldo amplamente positivo (19 pontos) está também Mariana Vieira da Silva, a número dois do Governo. A exemplo de outros colegas, a ministra da Presidência tem uma popularidade substancialmente maior entre as mulheres e os mais velhos e é tão valorizada pelos eleitores do PS como pelos do BE, em termos de avaliações positivas. Nota-se no seu caso que ainda tem problemas de notoriedade (um quinto não dá opinião e um terço refugia-se numa avaliação "nem bem, nem mal").
Um ministro fraturante
Apontado há muito como um eventual sucessor de António Costa, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, consegue à justa um saldo positivo de escassos dois pontos, sendo que só é assim graças ao peso da avaliação das mulheres. Destaca-se pela negativa na Área Metropolitana do Porto (saldo negativo de sete pontos) e pela positiva entre os eleitores mais novos (saldo positivo de seis pontos).
Mas é quando se analisam os segmentos por voto partidário, que fica clara uma linha fraturante mais evidente do que nos restantes: o saldo é positivo no PS e em toda a Esquerda parlamentar; e negativo em toda a Direita, com destaque para o Chega e os liberais. Tem um problema de falta de notoriedade semelhante ao da ministra da Presidência.
Um ministro discreto
Nesta matéria da notoriedade quem está pior, no entanto, é José Luís Carneiro. Um quarto dos inquiridos não se pronuncia e uma fatia de 42% refugia-se no "nem bem, nem mal", quando é confrontado com a avaliação ao ministro da Administração Interna.
Fazendo a conta aos que sobram, consegue um saldo positivo de dois pontos, de novo graças à maior generosidade das mulheres. Ao nível regional, destaca-se pela positiva na Área Metropolitana do Porto (já foi líder da distrital socialista), mas pela negativa no resto da região Norte (apesar de ter sido autarca em Baião).
45% A avaliação ao Governo volta a terreno positivo em abril, depois do cartão vermelho de outubro passado, num percurso que é sempre similar ao do primeiro-ministro, ao longo desta série de barómetros, mas sempre uns furos mais abaixo.
18+ O Governo consegue, no seu conjunto, um saldo positivo de 18 pontos, que compara com o saldo negativo de 11 pontos do ano passado. O melhor resultado foi precisamente há um ano, quando conseguiu um saldo positivo de 33 pontos.