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Quase 800 professores com 60 ou mais anos tentam lugar no quadro

Educadora de infância vai vincular-se nos quadros com 70 anos, à beira da idade limite para aposentação Leonel de Castro/global imagens

Mais de 56 mil docentes concorrem para 3259 vagas de quadro. Maioria dos candidatos mais velhos terão abandonado colégios, aponta Fenprof.

Uma educadora de infância deve entrar nos quadros à beira da aposentação pois completa os 70 anos em setembro. Outra professora de Economia faz 69 em novembro. Há, pelo menos, outros quatro docentes (dois de Português, um de Inglês e outro de Educação Tecnológica) que concorrem com 67 anos. Nas listas provisórias ao concurso externo, há 790 professores com 60 ou mais anos. A esmagadora maioria não concorre em primeira prioridade pelo que não deve vincular em setembro.

O dirigente da Fenprof, Vítor Godinho, confirma que tem aumentado o número dos que se candidatam com mais de 60 anos. A maioria, considera, saem do ensino privado. Este ano, o Ministério da Educação abriu 3259 vagas de quadro, destas mais de 500 são para quem concorre em segunda prioridade.

No total candidataram-se mais de 56 mil docentes. De acordo com o blogue do professor Arlindo Ferreira, especialista em estatísticas da Educação, 60 docentes com 60 ou mais anos concorrem em primeira prioridade e devem conseguir vincular em setembro. Pelo que a maioria deve manter-se a contrato. A média de idade dos candidatos (em primeira prioridade) é de 44 anos.

Sem rejuvenescimento

"É sinal que não se consegue rejuvenescer a classe pelos concursos como era suposto", frisa Vítor Godinho. O problema da falta de professores, defende, não se resolve apenas pela revisão do regime de concursos. "São precisas mais vagas de quadro e alterações estruturais nos horários, remunerações e no regime de aposentação", considera.

"A situação é preocupante há muitos anos", frisa Manuel Pereira. Além dos docentes que saem de colégios para escolas públicas, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) aponta também como motivo para os docentes passarem anos a contrato a opção de se manterem perto da residência por motivos familiares ou não terem recursos financeiros para suportarem o custo das deslocações. O mais grave, sublinha, é que esses docentes "muito dificilmente passarão do terceiro ou quarto escalão e vão aposentar-se a meio da carreira". A tutela tem de aprovar medidas que motivem a classe, "caso contrário será uma catástrofe", alerta.

Já o presidente da associação nacional de diretores (ANDAEP) considera que as medidas anunciadas são apenas "administrativas" e "uma ínfima parte do problema". "É fundamental que o Ministério das Finanças seja aliado. Sem investimento, mesmo ideias fantásticas não passarão disso", afirma Filinto Lima.

Alexandra Inácio