Tecnologia

Robô do INESC TEC recupera redes de pesca perdidas

Projeto NetTag foi testado em julho de 2021, ao largo da costa norte de Portugal, na Póvoa de Varzim Carlos Carneiro / Global Imagens

Uma "etiqueta" agarrada à malha das redes de pesca emite um sinal acústico, que um veículo do INESC TEC reconhece e consegue localizar.

Se um pescador perder uma rede no oceano, nunca mais a consegue recuperar, certo? Errado. A resposta ao problema já foi dada pelo Centro de Robótica e Sistemas Autónomos do INESC TEC. Até porque o prejuízo não é só dos pescadores. As malhas libertam microplásticos, que poluem a água, e transformam-se em "redes fantasma", já que continuam a capturar peixes, que morrem presos.

Para que funcione, só é preciso que o pescador coloque na rede "um pequeno sinalizador acústico", em forma de cilindro. A peça e a rede são encontradas por um robô desenvolvido pelo INESC TEC, no Porto.

"O cilindro emite um sinal que o robô conhece e, através de dois recetores, percebe qual a direção e distância e aproxima-se de forma autónoma. Pode agarrar a rede ou transportar um gancho que a agarra e recupera. É um problema não só pelo custo da rede, mas também porque fica a matar peixes", explica José Miguel Almeida, também coordenador do centro de robótica. O sistema foi criado da forma "mais simples possível", acrescenta o também professor do Instituto Superior de Engenharia do Porto e "pode ser operado pelo próprio pescador".

Desde cartografar o fundo do mar à exploração da vida marinha, há robôs para tudo e, para Nuno Cruz, professor da FEUP e coordenador do centro de robótica do INESC TEC, as máquinas são mesmo a melhor hipótese de estudar um oceano tão vasto. "Se queremos estudar o que se passa aqui, não há outra hipótese que não seja criar robôs. Temos quase 0% de área explorada. Se quisermos mesmo conhecer, numa primeira fase, temos de criar os meios", refere. E é precisamente isso que o centro de robótica está a fazer.

"Estamos a criar condições para nós próprios fazermos projetos de investigação e conhecer melhor o mar português. Temos um mar complicado: é grande, profundo, e é perigoso. Mergulha-se no Atlântico, e há areia, correntes... ", observa Eduardo Silva, do INESC TEC/ISEP.

Câmara hiperbárica

E para conhecer realmente o que se passa debaixo de água é preciso mais do que cartografar os fundos. Aliás, estudar espécies que vivem a grande profundidade é muito difícil.

"Quando trazem os animais à superfície, eles morrem" devido às diferenças de pressão, explica Eduardo Silva. "Fizemos um trabalho em que uma câmara hiperbárica vai ao fundo, recolhe os animais com a pressão a que eles vivem, traz à superfície e transfere-os para outra câmara que mantém a pressão. É tecnologia de robôs para criar condições à investigação dos biólogos", clarificou.

E há até máquinas que podem ficar no fundo do mar por longos períodos de tempo a recolher dados. Chamam-se "Turtle" e reposicionam-se autonomamente e sobem à superfície para manutenção.

Petróleo

O INESC TEC também desenvolveu robôs que podem ajudar a reduzir manchas de petróleo, no caso de descarga acidental. O equipamento espalha bactérias locais pela água que conseguem degradar o petróleo rapidamente. Foi isso, aliás, que aconteceu com o desastre do Prestige.

Minas inundadas

Em minas inundadas em terra, há vários veículos que conseguem mapear a infraestrutura e perceber se é viável que volte a funcionar mediante os minerais que lá existirem.

Inspeção

Com os projetos de energia offshore a ganharem relevância, o INESC TEC está a desenvolver projetos para inspecionar e monitorizar essas infraestruturas remotamente.

8 mil metros é o máximo de profundidade no Oceano Atlântico, sendo que a média será de cinco mil metros

Adriana Castro