Pedro Morgado

A Força do Querer

Quando se ganha de forma tão consistente, tudo parece mais fácil do que realmente é. Mas a verdade é que, entre alguns sustos e um Matheus que já foi elevado a santo, este Braga constrói tanto e tão bem que o maior pecado acaba por ser concretizar pouco em função do muito que joga.

Os últimos dois jogos - com Union Berlin e Vizela - tiveram em comum a dificuldade de marcar até uma fase muito avançada do jogo. E, em ambos, foi Vitinha que desatou um nó que já parecia demasiado enguiçado. Se o maior pecado é marcar menos do que constrói, parece que a maior virtude é mesmo a perseverança.

Com estes resultados positivos, o Braga consolidou a segunda posição na Liga (em perseguição direta ao Benfica) e manteve a liderança do grupo na Liga Europa (em igualdade com o Union Saint-Gilloise). Em Portugal, detém o melhor ataque do campeonato. Na Liga Europa, a melhor defesa. São já oito vitórias em nove jogos oficiais, com jogos muito emotivos que dão um verdadeiro espetáculo a quem aprecia futebol.

Este Braga, de Artur Jorge, tem qualquer coisa que, para lá dos bons resultados, está a aquecer o clima no Municipal. Jogo após jogo, uma peregrinação de sonhos preenche as bancadas do estádio e, galvanizada pela força do querer desta equipa, transcende-se num apoio apaixonado que a empurra para o golo.

A manter-se a consistência que tem demonstrado, parece que o marketing do Braga falhou o slogan da época e vai mesmo ter que recuperar o "vão ter de contar connosco" das épocas passadas.

Positivo: Ricardo Horta e Vitinha estão em destaque nas últimas partidas. O golo de Ricardo Horta no final do jogo com o Vizela merece ser visto, revisto e aplaudido de pé.

Negativo: Numa semana, um adepto foi baleado e a família de um treinador foi apedrejada. Espera-se que os responsáveis não ignorem estes casos e atuem junto dos clubes para reduzir a violência em torno do fenómeno desportivo em Portugal.

*Adepto do Braga

Pedro Morgado