Economia

Abertura do Continente aos domingos criaria dois mil novos postos de trabalho

A abertura das grandes superfícies aos domingos permitiria criar 2.000 novos postos de trabalho nos hipermercados Continente, garantiu hoje, quarta-feira, o presidente da Sonae SGPS, Paulo Azevedo, na apresentação dos resultados do grupo.

"Todos os anos, em Janeiro, quase 2.000 pessoas deixam de trabalhar na Sonae e depois retomam no ano seguinte, na época do Natal [período em que os hipermercados podem abrir aos feriados e domingos à tarde]. Essas 2.000 pessoas teriam, com certeza, lugar na Sonae", afirmou Paulo Azevedo.

Falando à margem da apresentação dos resultados de 2009, o líder da Sonae considerou que, particularmente "neste momento [de crise económica e elevado desemprego] é uma pena e uma injustiça muito grande, que não tem justificação possível".

Para Paulo Azevedo, "há uma grande confusão em Portugal de que grandes superfícies é igual a grandes cadeias". Contudo, destacou, "das cinco maiores cadeias alimentares a operar no país só o Continente é que tem que fechar aos domingos".

"Não é uma questão entre os pequenos e os grandes, porque a maior parte dos grandes está aberto, é uma questão que não tem justificação nenhuma a não ser que ninguém resolve", sustentou.

Destacando a "distorção muito grande" do mercado provocada pela actual situação, Paulo Azevedo salientou que, em termos de vendas, o Continente opera "menos uma tarde e uma noite" que os concorrentes e, "pior de tudo, não é rentável abrir hipermercados por poucas horas ao domingo".

"Nós fazemo-lo por serviço aos nossos clientes e para não perder mais vendas em relação aos nossos concorrentes, mas os hipermercados são máquinas grandes é preciso abrir todo o 'backoffice', as padarias, os talhos e preparar toda a loja, o que para estar aberto poucas horas não é rentável", disse.

Segundo recordou, um relatório do Observatório do Comércio já demonstrou que o encerramento das grandes superfícies ao domingo à tarde "não tem nada a ver com os pequenos comerciantes".

O responsável da Sonae acrescentou que, "muito pelo contrário, [o encerramento] promoveu as cadeias de lojas pequenas, tipo Lidl e Minipreço, que estão muito mais dentro do tecido urbano e afectam muito mais as mercearias e as pequenas lojas do que as grandes superfícies".

"Têm-nos dito, de vez em quando, que [a alteração da actual legislação] está na agenda, depois sai da agenda e volta à agenda", afirmou Paulo Azevedo, reiterando que "é e sempre foi muito mau" para a Sonae, mas é também "uma injustiça muito grande e muito mau para o país".

Redação