O fenómeno atmosférico semelhante a um tornado que, anteontem à tarde, se fez sentir em Lisboa deixou centenas de milhares de euros em prejuízos. Nas freguesias de Alcântara e da Estrela, será necessário reconstruir tetos e salas de três escolas e de um polidesportivo, bem como replantar árvores e adquirir mesas e bancos para jardins públicos.
Em Alcântara, na manhã desta quarta-feira, já quase não havia sinais da passagem de um tornado e de chuva intensa nos estabelecimentos de restauração e na rua onde dezenas de carros ficaram submersos.
Alexandra Duque, funcionária da Urceira, loja de eletrodomésticos em Alcântara, ainda andava a retirar água e lama do estabelecimento onde várias máquinas, frigoríficos, computadores, equipamentos de ar condicionado e móveis ficaram danificados.
"Tudo o que estava na montra flutuou e quando o material elétrico apanha água não há nada a fazer. Está tudo destruído", lamenta a comerciante, que estima prejuízos "muito acima dos 5000 euros". Há sete anos a trabalhar na Rua Fradesso da Silveira, não esperava o dilúvio.
"Sabíamos que havia cheias, mas nunca aconteceu isto. Temos umas portadas que colocamos quando o tempo está mais agreste, mas ontem não chegamos a tempo. O meu gerente ainda veio aqui, mas já não conseguiu sair da carrinha, que avariou, por causa do nível da água", conta.
Afonso Zagalo tentava, ontem, secar o carro de todas as formas possíveis. "Fiz uns buracos com um berbequim debaixo dos bancos para a água sair e agora vou ligá-lo a ver se aquece", contou o morador em Alcântara, que ficou sem um amplificador e um inversor de corrente destruídos pela água.
Já quem trabalha nos restaurantes conseguiu agir mais rápido pois estava a servir almoços quando começou a chover. Em frente ao Cantinho de Alcântara a água subiu mais de 1,50 metros, deixando vários carros submersos, mas António Martins, dono do espaço, estava preparado. "Tenho uma porta para estas situações e consegui varrer a pouca água que entrou", explica.
O presidente da Junta de Alcântara, Davide Amado, diz que a recuperação de duas escolas, um polidesportivo, e do Jardim Avelar Brotero "ascenderá aos 100 mil euros". Já o seu homólogo da Estrela, Luís Newton, diz que a intervenção na Escola Fernando de Castro, "fechada sem previsão de abertura" e do Jardim Elisa Batista, rondará "largas dezenas de milhares de euros".
O Plano Geral de Drenagem de Lisboa, cujas obras mais estruturantes arrancaram em setembro, vai permitir evitar inundações como as verificadas esta semana em Lisboa e a reutilização de águas. Segundo a Câmara, esta solução foi pensada para resolver "entre 70% a 80%, os riscos de inundações na cidade".
Devido à crescente ocupação da capital e às alterações climáticas, de acordo com a autarquia, estes fenómenos têm-se agravado em zonas mais críticas, como as freguesias de Alcântara e Santo António.
A obra, aprovada já no anterior executivo, deverá estar concluída no primeiro trimestre de 2025.