Política

PS admite requerer inquérito parlamentar sobre os submarinos

O PS está a avaliar o caso da compra de dois submarinos pelo Estado português a um consórcio alemão e admite vir a requerer uma comissão de inquérito parlamentar, disse hoje, sexta-feira, o deputado socialista Ricardo Rodrigues.

"A Assembleia da República deve acompanhar todos os negócios do Estado e, quanto a este, em concreto, há alguns factos que nos deixam preocupados e de pé atrás", disse Ricardo Rodrigues à agência Lusa.

"Admitimos a hipótese de poder vir a requerer uma comissão de inquérito, mas não temos nenhuma decisão tomada neste momento", acrescentou o deputado e vice-presidente do grupo parlamentar do PS.

Questionado se a comissão de inquérito que PS admite requerer é a mesma que foi proposta pelo Bloco de Esquerda (BE), Ricardo Rodrigues respondeu que "o pedido do BE tem a ver com as contrapartidas".

O PS admite a hipótese de requerer um inquérito parlamentar para investigar "tudo, incluindo o negócio em si mesmo – a compra dos submarinos e as contrapartidas".

Ricardo Rodrigues sublinhou que, "neste momento, não há nenhuma decisão tomada" pelo PS e que, por enquanto, os socialistas vão "continuar a acompanhar" os dados surgidos sobre este caso.

A constituição de uma comissão de inquérito parlamentar pode ocorrer de duas formas: através de uma proposta subscrita por, pelo menos, um quinto dos deputados – ou seja, 46 dos 230 – ou por decisão do plenário.

Actualmente, o PS tem no Parlamento 97 deputados, o PSD 81, o CDS-PP 21, o BE 16, o PCP 13 e "Os Verdes" 2.

A revista alemã Der Spiegel noticiou na terça-feira que um cônsul honorário de Portugal, que não identifica, terá recebido um suborno de 1,6 milhões de euros da Ferrostaal para ajudar a concretizar a compra de dois submarinos pelo Estado português em 2004.

Na quarta-feira, o Governo português suspendeu o cônsul honorário de Portugal em Munique, Jurgen Adolff.

O cônsul honorário de Portugal em Munique, indiciado por tráfico de influências e corrupção no caso dos submarinos, disse à Lusa desconhecer qualquer "pagamento indevido" que tenha existido, e repudiou as suspeitas do seu envolvimento.

Redação