Conversas Por Boas Causas

Cultura, ferramenta essencial no que respeita à integração social

Margarida Montenegro e Mariano Cabaço Leonardo Negrão/Global Imagens

Santa Casa da Misericórdia tem-se esforçado para fazer chegar às comunidades o acesso a iniciativas e equipamentos de âmbito cultural.

Falar de cultura implica olhar para uma série de áreas nas quais esta tem uma interferência direta. Uma delas é a vertente social. Ora, foi precisamente a estreita relação entre estes dois campos que esteve em análise em mais uma edição do "Conversas por boas causas", que a TSF, o "Jornal de Notícias" e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) organizam em parceria.

De facto, a cultura assume um papel estruturante no bem-estar da sociedade. Esta é, pelo menos, a opinião de Margarida Montenegro, diretora da Cultura da SCML. "É uma fonte de conhecimento, de conforto emocional e de integração social", afirmou a responsável, acrescentando igualmente um exemplo de uma de várias atividades culturais promovidas pela instituição junto da comunidade: "Temos o "voluntariado da leitura" que é um grupo de técnicos que vai a residências de pessoas de idade para ler textos e depois conversar sobre eles".

Também Mariano Cabaço, diretor do gabinete de Património Cultural da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), garante que "o património e a cultura são um garante de coesão social dos territórios". Segundo afirma, "o património serve para alavancar a moral de cada comunidade e, por ser único, é a alma de instituições como as misericórdias".

Já sobre o facto de a cultura ser remetida para segundo plano em épocas de crise económica, como as que a Europa atravessou recentemente, o responsável da UMP sustenta que, apesar disso, "cabe às forças vivas de cada comunidade conhecer o seu património". Isto porque, conforme também salienta, "quanto mais se conhecer e mais orgulho houver nele, mais cuidado haverá na sua preservação".

Margarida Montenegro, por seu turno, defendeu que a responsabilidade de não deixar, em momento algum, que a esfera cultural saia prejudicada cabe, sobretudo, ao Estado. Em paralelo, a diretora da Cultura da SCML voltou a destacar a importância das misericórdias na função de "divulgar e tornar acessível a fruição dos seus equipamentos culturais".

Orçamento do Estado

Cultura ficará com 0,43% do Orçamento do Estado de 2023. Uma percentagem ainda distante do almejado 1%.

Património em risco

Várias associações ligadas ao património cultural luso alertaram já para a degradação de certos edifícios.

Preservação patrimonial

Apesar das dificuldades, as misericórdias têm alocado verbas substanciais para a conservação do seu património

Investimento europeu

Por reconhecer o papel comunitário da cultura, a União Europeia injetou, em 2021, mais de 2 mil milhões de euros no setor.

Índices preocupantes

Em 2020, segundo um inquérito da Universidade de Lisboa, 61% dos portugueses não leram qualquer livro.

"A cultura é o cimento que agrega tudo numa sociedade, tem este valor universal e potenciador da coesão social"

Margarida Montenegro

Diretora da Cultura da SCML

"Não se percebe que instituições como a nossa não possam ser beneficiadas com apoios para restauro do seu património"

Mariano Cabaço

Diretor do Gabinete de Património Cultural da União das Misericórdias

Redação