Conversas Por Boas Causas

Empreendedorismo e inovação social caminham de mãos

Inês Sequeira e Gil Azevedo Diana Quintela/Global Imagens

Há cada vez mais empresas cientes da importância de abraçarem um papel ativo na construção de um mundo melhor pela via da responsabilidade social.

Empreendedorismo é um conceito em voga e, normalmente, associado ao ramo dos negócios e ao seu cariz arrojado e gerador de riqueza, sobretudo do ponto de vista empresarial. Porém, ele pode funcionar em paralelo enquanto ferramenta social, assumindo uma interferência positiva na vida das comunidades. A conjugação entre empreendedorismo e inovação social foi o assunto da última "Conversas por Boas Causas", uma iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) em parceria com a TSF e o Jornal de Notícias.

Segundo Inês Sequeira, diretora da Casa do Impacto da SCML, "o empreendedorismo pode ser um instrumento para se atingir uma sociedade mais sustentável e inclusiva". Ou seja, segundo a diretora da Santa Casa, os empresários não devem descurar uma vertente associada ao bem comum nas suas práticas. Até porque, conforme a própria acrescenta, "a pressão que existe em gerações como a dos millennials e da geração Z já se sente e faz com que as empresas percebam que se não olharem a questões sociais e ambientais, não vão ter lugar para existir". Também Gil Azevedo, diretor-executivo da Startup de Lisboa, considera que o âmbito empreendedor deve "dar resposta aos problemas da sociedade", notando ao mesmo tempo que "esses problemas foram evoluindo e são, hoje, diferentes dos de há 30 anos". De resto, o responsável contou que "se têm observado, crescentemente, projetos na área das startups com impacto na área da sustentabilidade e que acabam por contribuir para um mundo melhor".

Para o futuro, tanto Gil Azevedo como Inês Sequeira reiteraram a ideia de que o desafio está, de forma obrigatória, em encontrar o equilíbrio entre os lucros e a ação comunitária.

"Quando os negócios têm uma finalidade económica, são precisos resultados que permitam um crescimento que se traduza em termos sociais", afirmou o diretor-executivo. "O paradigma de capitalismo tem de ser alterado para ser mais ético, as partes sociais e ambientais têm de estar presentes", comentou a responsável da SCML.

Casa do Impacto

Órgão da Santa Casa da Misericórdia, dedicado ao empreendedorismo social e ambiental, já incubou 63 startups.

Programa Cleantech

Projeto da Startup de Lisboa irá apoiar empresas tecnológicas que procurem produzir energia sustentável.

PRR

Governo concedeu 90 milhões de euros, através do Plano de Recuperação e Resiliência, para startups amigas do ambiente.

Compromisso verde

Setor do calçado luso assumiu um protocolo ambiental e de inclusão social, a partir de 2023, que engloba cem marcas.

Investimento responsável

Empresas de EUA e Reino Unido são as que melhor desenvolvem o chamado Investimento Socialmente Responsável.

Redação