Vila Nova de Gaia

Restaurantes da zona ribeirinha de Porto e Gaia estão de prevenção

Nível da água no rio Douro ainda não preocupa em Gaia e no Porto Pedro Granadeiro/Global Imagens

Proprietários e funcionários de cafés e restaurantes da zona ribeirinha do Porto e de Gaia têm estado atentos às indicações das autoridades quanto ao mau tempo e estão em estado de alerta relativamente ao risco de cheia, mas, para já, dizem-se tranquilos.

Ao balcão da sede da emblemática Associação Recreativa e Desportiva de S. Pedro de Miragaia, Orlando Pinto mostrava-se descansado, embora atento ao evoluir da meteorologia. "Há três anos, a água entrou cá dentro. Chegou através das tampas do saneamento. Causou estragos. O seguro depois pagou uma parte", lembrou, sem perder de vista as informações no telemóvel.

Se a água voltar a incomodar, não há muito fazer, a não ser aplicar a receita do costume: "Procuramos proteger os materiais, colocando-os o mais alto possível. Em cima do balcão e do bilhar".

Esta terça-feira, a situação no Porto e em Gaia contrastou com outras zonas do país, sobretudo em Lisboa e nos concelhos vizinhos, onde o temporal, em especial a chuva abundante, gerou o caos em algumas cidades.

No início da tarde, os planos de cheias das bacias do Douro e do Tejo tinham sido elevados para o nível amarelo, segundo a Proteção Civil, que alertava para a possibilidade de cheias em vários outros rios e ribeiras do território nacional. Horas depois, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera reduziu de laranja para amarelo o aviso de precipitação para os distritos de Lisboa e Setúbal.

Ainda no Porto, em Miragaia, a dois passos da Associação Recreativa e Desportiva, Catarina Pereira, nascida nesta zona à beira-rio, mostrava-se "tranquila". Está a terminar a montagem de um novo negócio, a Mirarcos, uma casa de petiscos que deve abrir na próxima semana, e o risco de cheia não é, para já, preocupação.

Assinalou que "todos os materiais a ser instalados estão preparados para o risco de inundação, tirando os frigoríficos que terão de ser retirados", caso a água entre no estabelecimento, prestes a ser inaugurado.

Na outra margem do rio Douro, em Gaia, o cenário era, igualmente, de acalmia. José Costa, do restaurante Douro Velho, disse confiar nas indicações da Proteção Civil. Há uma década a trabalhar neste restaurante, na primeira linha, na Avenida Diogo Leite, não esquece que "há três anos a enchente provocou perdas consideráveis".

À semelhança do Porto, do lado gaiense, se a cheia acontecer a atenção, para diminuir ao máximo possíveis danos, estará direcionada para os "artigos elétricos". No resto, a receita não muda: "Passa por colocar os materiais em cima das mesas e do balcão".

Miguel Amorim