Desporto

Quatro ases em busca da glória nas areias sauditas

Nasser Al-Attiyah quer dar o "bis" à Toyota AFP

Dakar arranca este sábado, com Nasser Al-Attiyah, Stéphane Peterhansel, Carlos Sainz e Sébastien Loeb como grandes favoritos nos automóveis. Dezassete lusos em ação, com destaque para o regresso de Hélder Rodrigues, agora ao volante de um SSV.

A grande aventura começa este sábado. O Rali Dakar 2023 enfrenta, pelo quarto ano consecutivo, as areias da Arábia Saudita, onde Nasser Al-Attiyah, nos automóveis, e Sam Sunderland, nas motos, vão tentar defender os títulos conquistados no ano passado, mas a concorrência é de respeito. Portugal estará representado por 17 pilotos e se um eventual triunfo à geral em qualquer uma das categorias é muito difícil de imaginar, os triunfos em etapas são uma meta bem real.

Quinze dias de competição, com 8527 quilómetros a percorrer, dos quais 4611 ao cronómetro, e um sem-número de armadilhas no deserto da Arábia Saudita esperam a caravana do Dakar 2023, que reedita os grandes duelos dos últimos anos.

Nas quatro rodas, Nasser Al-Attiyah procura o quinto triunfo, o que lhe permitiria deixar a companhia de Ari Vatanen e tornar-se no segundo piloto mais bem-sucedido de sempre nos automóveis, mas para isso o catari terá de levar a Toyota ao "bi", algo que a marca nipónica nunca alcançou.

O maior perigo deve vir dos Audi, que se resolverem os problemas de fiabilidade mostrados no ano passado poderão levar os híbridos a escrever uma nova história no livro de recordes do Dakar. E convém não esquecer que ao volante estarão Stéphane Peterhansel, o senhor Dakar (ganhou seis vezes nas motos e oito nos carros), e Carlos Sainz, que já tem três vitórias no currículo.

Depois do segundo lugar no ano passado, o nove vezes campeão do Mundo de WRC, Sébastien Loeb, volta a estar nos favoritos com um Bahrain Raid Xtreme.

Hélder Rodrigues volta

Da armada lusa, destaque para o regresso de Hélder Rodrigues. O primeiro português a subir ao pódio no Dakar (nas motos em 2011 e, depois, em 2012) e que já venceu nove etapas, estará agora ao volante de um veículo ligeiro (SSV3), fazendo dupla com Gonçalo Reis, enquanto nas motos Joaquim Rodrigues Jr tentará repetir o triunfo numa tirada como o que conseguiu em 2022 e alcançar um bom lugar na geral, objetivo que também estará ao alcance de Rui Gonçalves e do luso-alemão Sebastian Buhler. É tempo de levantar pó no deserto.

Os portugueses
Motos
: Rui Gonçalves, Joaquim Rodrigues Jr, António Maio, Mário Patrão e Sebastian Buhler (luso-alemão).
Automóveis: Paulo Fiuza (navegador) e José Marques (navegador).
SSV: Hélder Rodrigues/Gonçalo Reis, João Ferreira/Filipe Palmeiro, Ricardo Porém, Pedro Bianchi Prata, Fausto Mota (licença espanhola) e Paulo Oliveira (licença moçambicana).
Camiões: José Martins e Armando Loureiro.

O adeus ao papel nos roadbooks

Após os "roadbooks" em papel terem sido abolidos nos carros e camiões em 2022, é tempo de a evolução chegar às motos, com os novos mapas digitais a pouparem muitas horas de trabalho aos pilotos, que, agora, já não terão de marcar os "roadbooks" para o dia seguinte. Na edição deste ano serão muitas as equipas a usar biocombustíveis, prevendo-se que a pegada de carbono seja reduzida em 40%.

Miguel Pataco