Mantêm-se negociações para Portugal obter maior redução da encomenda de doses de vacina contra a gripe A, mesmo depois de já ter acordado com o laboratório fornecedor um corte de 30% sobre os seis milhões reservados na fase de antecipação da pandemia.
As autoridades de Saúde continuam a negociar com a farmacêutica junto da qual reservaram seis milhões de doses de vacina, na fase em que esta ainda estava a ser "desenhada" para combater o novo vírus A (H1N1), em pleno Verão de 2009. E, se em Fevereiro último, 30% das reservas tinham sido canceladas, prosseguem as conversações com o laboratório fornecedor para que o fornecimento desça e fique mais adequado à realidade da pandemia "decretada" pela Organização Mundial de Saúde (OMS) seguindo à letra o significado de pandemia (generalização pelo Planeta e não tanto gravidade confirmada).
A "sobra" de doses deveu-se, em Portugal como em muitos países europeus, ao facto de, afinal, a vacina não carecer de duas aplicações (a não ser em casos como algumas faixas infantis da população), e a uma adesão pouco expressiva. Receios difundidos sobre alegados efeitos colaterais e a relativa benignidade do novo vírus estancaram o alarme de uma corrida reivindicativa à imunização. Mas nenhum país, tal como Portugal, escapou totalmente à polémica sobre prioridades no acesso à vacina.
Um ano depois do alarme
A 4 de Maio de 2009, faz hoje um ano, era anunciado que uma mulher residente em Lisboa, que passara férias no México, estava doente com a nova gripe. Era o primeiro caso, ainda importado, e as autoridades de Saúde afirmavam que os contágios entrariam numa fase de expansão quando começassem a ocorrer entre pessoas que nem tivessem estado fora do país nem contactado cá com um portador do vírus chegado de outro país. A primeira doente (diagnosticada a 29 de Abril) ficou em casa, com contactos restritos, medicada com antivirais e já estava a recuperar. A confirmação só era então possível com análises feitas no Reino Unido, que demoravam quase uma semana. Apenas cerca de dois meses mais tarde Portugal passou a dispor de meios laboratoriais para confirmar este tipo de infecções. Que ficam para o que der e vier.
A gripe A começou logo a ser assim designada pelas autoridades portuguesas e depois referida como pandémica pela OMS para que a doença não fosse associada a algum risco de consumo da carne de porco, o que seria errado. No entanto, internacionalmente a designação mais comum manteve-se como gripe suína.
Os primeiros casos da nova gripe em Portugal a criar algum alarme nas famílias tiveram a ver com focos localizados em alguns infantários e em escolas, que fecharam para conter os surtos.
Em certos casos, as medidas de contenção geraram a corrida a centros de Saúde ou aos centros de atendimento à gripe. Em pleno Verão, o Algarve mostrou ser o ponto mais susceptível no atendimento de uma população acrescida. O pico nacional de contágios só seria atingido na terceira semana de Novembro. Antes, as primeiras mortes já tinham ocorrido, a partir de final de Agosto. No cômputo feito no passado mês de Abril, as autoridades de Saúde atribuem à gripe pandémica e/ou agravamento de doenças já existentes 122 óbitos. Número substancialmente inferior às cerca de duas mil vidas que a gripe sazonal leva todos os anos. No Mundo, contaram-se quase 18 mil mortes.