Lisboa

Câmara de Lisboa adia votação sobre hotel de Isabel dos Santos

Câmara de Lisboa adia votação sobre hotel de Isabel dos Santos DR

Os vereadores da oposição da Câmara de Lisboa questionaram, esta quarta-feira, o presidente Carlos Moedas sobre uma proposta para um novo hotel de cinco estrelas no centro da cidade, depois de perceberem que o promotor terá ligações com Isabel dos Santos, empresária angolana investigada pelo Ministério Público.

A votação do documento para a construção de empreendimento de luxo é de empresa à qual empresária angolana tem ligações acabou por ser adiada para data "não definida", mas o município diz que não faz parte das suas competências investigar requerentes.

A proposta, assinada pela vereadora Joana Almeida, propõe a transformação de um prédio habitacional num aparthotel, "constituído por 22 apartamentos turísticos de cinco estrelas e um estabelecimento comercial", na Rua Alexandre Herculano, no centro de Lisboa.

Esta quarta-feira, os vereadores do PS consideraram que "há um défice de informação, uma vez que os últimos gestores conhecidos da empresa promotora, a H33, são publicamente referenciados como representantes de interesses de Isabel dos Santos".

Recorde-se que sobre a empresária, que é filha do ex-presidente angolano, José Eduardo dos Santos, falecido em julho de 2022, recai um mandado de captura emitido pela Interpol.


Relativamente a este caso, o projeto de arquitetura, que tem um parecer condicionado pela Direção-Geral do Património Cultural, deveria ter sido votado anteontem, mas após a vereadora do PS, Cátia Rosas, ter levantado questões, o presidente Carlos Moedas adiou a votação.

O gabinete de comunicação da vereadora do Urbanismo e da Transparência e Combate à Corrupção, explica que "os serviços de Urbanismo não têm competências para avaliar a idoneidade e não exercem o poder judicial de investigação de qualquer requerente".

"O que avaliamos nos processos urbanísticos é se o requerente ou a entidade que o representa tem o direito legítimo de pedir licença para intervir naquele edifício. Da consulta aos serviços, não existiu qualquer pedido de informação das autoridades de justiça", justifica.

A autarquia acrescenta que "qualquer questão de possível arresto só é tida em conta no licenciamento caso esteja refletida nos documentos de instrução de processo, o que não acontece neste caso" e que o processo foi submetido em 2019, no executivo liderado por Fernando Medina.

Sofia Cristino